Diego Gelmirez

Arcebispo de Santiago de Compostela, natural da Galiza, antigo chanceler de Raimundo de Borgonha, governou a diocese como administrador (1093), vigário (1096) e bispo (1101-1136). Engrandeceu a sua Igreja com inúmeros bens e privilégios, reformou o Cabido e foi responsável pela conclusão do grandioso projeto da catedral, iniciado em 1077 pelo seu antecessor, Diogo Pais. Em 1120 conseguiu da Santa Sé a elevação de Compostela à categoria de metropolita, subtraindo-se à alçada da arquidiocese de Braga. Tentou, em vão, obter bispados sufragâneos pertencentes a Braga, acabando por conseguir do Papa Calisto II, pela bula Omnipotentis dispositione (26 de fevereiro de 1120), a transferência dos direitos metropolíticos de Mérida, ainda em poder muçulmano, incluindo como sufragâneas dioceses portuguesas - Lamego, Viseu, Coimbra, Idanha (ou Egitânia) e mais tarde Lisboa e Évora, o que deu origem a um prolongado conflito com os arcebispos de Braga. Estas rivalidades, acentuadas pela nomeação de Gelmirez como legado apostólico (27 de fevereiro de 1120) para as províncias eclesiásticas de Braga e Mérida, contribuíram para a autonomia portuguesa que servia também aos interesses de Braga. Gelmirez exerceu também grande influência política na Galiza, com alianças ou oposições estratégicas a D. Urraca, D. Teresa e Afonso VII, tendo morrido em 1139 como um verdadeiro soberano da Galiza.
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