Diogo Brandão

Poeta palaciano presente no Cancioneiro Geral, identificado talvez com o contador da fazenda Real no Porto, filho de João Brandão e D. Brites Pereira. O conjunto das composições individuais atribuídas a Diogo Brandão revela uma grande diversidade temática, que vai do panegírico ao louvor religioso e à expressão amorosa e jocosa, aliada a um virtuosismo versificatório manifestado, por exemplo, pelo uso da oitava de arte maior, pela exploração do acróstico e de jogos lexicais ou pelo bilinguismo. As trovas dedicadas à morte do Príncipe Perfeito, compostas após a trasladação do restos mortais do rei, compõem uma longa elocubração sobre a inconstância da vida, a necessidade de desprezo do mundo e sobre a morte que inelutavelmente a todos iguala. Dialogando textualmente com uma composição de Luís Henriques dedicada ao mesmo acontecimento (De Luis Anriques, quando trouxeram / a ossada d'el-rei Dom Joam o / Segundo, que é em / Santa Groria, II, p. 268) concorrem ambas para a glorificação não só dos feitos do monarca, mas, sobretudo, da sua santidade: com efeito, a incorruptibilidade do corpo do Príncipe Perfeito, somada à imagem póstuma de um governante magnânimo, justo e humano, parecia potencializar a crença na prodigiosa capacidade de intervir mesmo após a morte: "Quer Deos dali dar a muitos doentes / comprida saude, tocand' onde jaz...". As composições breves, cantigas e vilancetes, de temática amorosa, pouco acrescentam à poética cortês do Cancioneiro, glosando alguns dos seus lugares-comuns, como a morte de amor, a cegueira ou a coexistência de dois contrários num só sujeito. Dialogando com outros textos do Cancioneiro que receberam a influência de El Infierno de los Enamorados do Marquês de Santillana, o Fyngymento de Amores de Diogo Brandão apresenta um particular interesse, pelo que nos revela de uma influência de Dante, que perdurará na lírica renascentista. Do mesmo modo, e acusando a receção de Petrarca na Península Ibérica, noutros poemas, o sujeito poético erra pelos ermos de uma natureza selvagem, procurando na vida solitária a melhor expressão para o sofrimento de amor: "E aquesta dor presente, / que m'aqueixa, / jamais viver nam me deixa / antre gente./ / E vou-me por esses montes / desastrado sospirando, / os meus olhos coma fontes / vam chorando. / Das lagrimas desmedidas, / verdadeiras, / vam as aguas das ribeiras / mui crecidas. (De Diogo Brabdam, estando / ausente de sua dama, / endereçadas a An- / rique de Saa. (II, 221).
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