Dirk Bogarde

Ator britânico, Derek Jules Gaspard Ulric van der Bogarde nasceu no bairro londrino de Hampstead, a 28 de março de 1921, e morreu a 8 de maio de 1999, também em Londres. Filho de um artista holandês e de uma atriz, teve uma formação distinta e culta, tendo chegado a frequentar o curso de teatro no Royal College of Art. Foi figurante no filme Come on George (1939) e trabalhava como cenógrafo quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, tendo-se alistado no exército britânico e sido enviado para o Médio Oriente. Findo o conflito, saiu do exército com a patente de major e foi contratado pelos estúdios Rank sobretudo para interpretar papéis de galã em filmes como Esther Waters (1948), Blackmailed (1950) e Desperate Moment (1953). A sua popularidade disparou quando protagonizou a série de comédias Doctor, iniciando o seu percurso com Doctor in the House (Diga 33!, 1954) e Doctor at Sea (Uma Garota a Bordo, 1955). Entre 1947 e 1961, interpretou cerca de três dezenas de filmes, o que motivou um convite para ir trabalhar em Hollywood. O filme foi Song Without End (Sonho de Amor, 1960), uma biografia do compositor Franz Liszt realizada por George Cukor que conheceu um desastroso percurso comercial. Desiludido, Bogarde regressou à Grã-Bretanha onde desempenhou personagens mais adultas e polémicas. Em Victim (Vítima, 1961), o primeiro filme britânico a abordar diretamente o tema da homossexualidade, interpretou um magistrado gay que arrisca a sua reputação ao aceitar enfrentar um grupo de chantagistas que estiveram na origem da morte do seu amante. Passeou o seu talento em filmes de aventuras como HMS Defiant (Revolta no Defiant, 1962) até que recebeu um convite do realizador Joseph Losey, que se encontrava exilado em Inglaterra devido ao facto de se encontrar na "lista negra" do senador McCarthy. Bogarde arrancou então uma portentosa interpretação em The Servant (O Criado, 1963), a partir da peça de Harold Pinter. A sua personagem de mordomo corrupto, que consegue controlar o seu patrão (James Fox) valeu-lhe o Brit Award para melhor ator. Seguiram-se Darling (1965), Accident (Acidente, 1967) e outra meritória interpretação no controverso La Caduta Degli Dei (Os Malditos, 1969), de Luchino Visconti. Na década de 70, especializou-se sobretudo na construção de personagens psicologicamente complexos em filmes franceses e italianos. Foi novamente debaixo da batuta de Visconti que assinou a interpretação mais conhecida da sua carreira: a do velho obcecado pela beleza de um adolescente em Morte a Venezia (Morte em Veneza, 1971), a partir do romance homónimo de Thomas Mann. Seguiram-se Il Portieri di Notte (O Porteiro da Noite, 1974), onde interpretou um sádico ex-guarda nazi de um campo de concentração, e Providence (1977), de Alain Resnais. Trabalhou ainda com Fassbinder em Despair (1978), onde personificou um exilado soviético. Em 1979, comprou uma quinta no Sul de França e dedicou-se à escrita. Regressou ao cinema com o discreto Vision (Maquinação Diabólica, 1987). O seu último trabalho foi Daddy Nostalgie (1990) de Bertrand Tavernier. Numa noite de maio de 1999, após ter jantado com a sua amiga Lauren Bacall, morreu na sua mansão londrina, vítima de síncope cardíaca.
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