dobra (moeda)

Por este nome eram conhecidas algumas moedas correntes durante a primeira dinastia em Portugal, tanto de origem estrangeira (denominada a dobra valedia) como portuguesa.
D. Pedro I foi o primeiro rei a emitir dobras, em ouro, descritas por Fernão Lopes na Crónica d'El Rei D. Pedro. Eram aproximadamente de 989 milésimos, tinham uma inscrição em latim referente ao rei e a sua figura sentada num trono e empunhando uma espada.
A dobra portuguesa, assim como a meia-dobra, era a denominação dada às portuguesas em contraposição com as estrangeiras. Havia diversos tipos de dobras: a cruzada, a sevilhana, a de D. Branca ou castelhana, em ouro de 4,60 gr., oriunda do reino vizinho, que circulou entre os séculos XIV e XV em Portugal e que variou entre os 270 e 188 reais.
A barbarisca, de Marrocos, de prazida, de sagilmença ou mourisca, designada inicialmente por morabitino maior e quadratus in auro, era emitida pelos almóadas, tendo o peso de 4,50 gr. e valendo no século XIII 45 soldos.
A de banda ou castelhana era em ouro, com a insígnia da Ordem da Banda, pesava 4,50 gr. e valeu a certa altura 45 soldos. Foi emitida pelo rei Afonso XI de Castela em comemoração da vitória do Salado.
As de dois escudos (ou meia-peça) e de quatro escudos (ou peça) eram em ouro e foram cunhadas nos governos de D. João V, D. José, D. Maria I e D. João VI.
A de vinte e quatro escudos foi emitida por D. João V (assim como a de dezasseis escudos, com o mesmo cunho da de vinte e quatro escudos), valendo 38 400 reis e possuindo uma inscrição em latim relativa ao rei, o seu busto e a data de 1731. Por este rei foi igualmente emitida a de oito escudos, valendo 12 800 reis e tendo o retrato do rei por Vieira Lusitano orlado pelos títulos e pelo nome, uma legenda em latim e as armas do reino.
A pé-terra foi cunhada no século XIV por D. Fernando, valendo 6 libras. O nome advém do facto de a figura do rei se encontrar de pé, com a mão esquerda no escudo de Portugal e a direita a segurar uma espada.
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