dobre

Técnica retórica, explicitada na "Arte de Trovar" do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, utilizada na poesia galego-portuguesa, que consistia na repetição, ao longo do poema, de palavras no mesmo ponto do verso ou estrofe. Ao contrário do mordobre, a palavra reiterada, por vezes sob a forma de trocadilho, não era flexionada, como, por exemplo, na composição de Pero Garcia Burgalês, Ai eu coitad', e por que vi, onde a carga semântica de cada estrofe está sintetizada no termo reiterado com que termina cada verso:
Ai eu coitad', e por que vi a dona que por meu mal vi! Ca, Deu' lo sabe, poi' la vi, nunca já mais prazer ar vi, per bõa fé u a non vi! Ca de quantas donas eu vi, tam bõa dona nunca vi, [...] (CBN 175)
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