dogmatismo

Dogma, do grego dokein, termo, opinião. O uso deste termo refere-se ao domínio da filosofia e aplica-se em dois sentidos: de modo restrito, remete para o problema do conhecimento, sendo que dogmático é aquele que afirma ser possível o conhecimento do real com certeza, neste sentido o dogmatismo remete para o problema do conhecimento e opõe-se a ceticismo; noutro sentido, de modo mais lato, aplica-se a qualquer doutrina que seja aceite sem a devida fundamentação, pois normalmente exige-se que a fundamentação seja racional. A base da filosofia é, desde as suas origens, o debate livre de ideias, daí que qualquer dogma a que se chegue deva ser o resultado do amadurecimento de uma argumentação clara. Não serve, portanto, de fundamentação o argumento de autoridade ou o argumento do senso-comum, nos quais se baseia frequentemente o dogmatismo.
O famoso preceito de Sócrates - Só sei que nada sei - é significativo do esforço constante que deve presidir à filosofia, o de recusar um saber já feito que o sujeito não possa iluminar por si mesmo. Em Descartes é evidente o esforço por não aceitar o argumento de autoridade, radicando qualquer certeza relativamente ao problema do conhecimento no próprio sujeito, através da dúvida metódica.
É, todavia, com Kant que vemos a maior crítica ao dogmatismo, pois é a própria razão que se vai criticar a si mesma, num esforço por encontrar os seus fundamentos e os seus limites. Com este filósofo o dogmatismo já não é entendido como oposto ao ceticismo, mas ao criticismo.
No que diz respeito à religião e, particularmente, no interior das chamadas religiões do livro (judaísmo, cristianismo e islamismo), pode-se falar em dogmatismo, sem o sentido pejorativo que este termo adquiriu em filosofia, pois há aí uma preocupação constante, por parte dos teólogos, pela fundamentação racional dos dogmas e não a sua mera aceitação sem mais.
Como referenciar: dogmatismo in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-04-07 20:48:24]. Disponível na Internet: