Domingos Caldas Barbosa

Beneficiado e capelão da Casa da Suplicação, nascido provavelmente em 1738, no Rio de Janeiro, e falecido em 1800, em Lisboa, este autor foi presidente da academia literária Nova Arcádia, fundada no ano de 1790, encantando nas suas inúmeras sessões pela sua habilidade de versejador fácil e correto e pelas suas músicas guitarradas, acompanhadas de modinhas e lunduns, que cantava e às vezes compunha.Visitou Roma e foi recebido por sócio da Arcádia Romana, com o nome de Lereno Selinuntino, que conhecemos já no poema A Doença.Mestiço brasileiro, Domingos Caldas Barbosa, outrora soldado nas lutas na Colónia do Sacramento, fazia, em Lisboa, uma vida de padre mundano, que Tolentino satirizou, animando assembleias burguesas, salões fidalgos e até serões do paço real. Estas sessões, muito em voga nos salões da época, realizavam-se em casa do conde de Pombeiro ( o "fofo" conde, segundo a irónica expressão de Bocage) ou do conde de Vimioso, outro aristocrático mecenas. Eram essas as famosas "quartas-feiras de Lereno", com o apodo do seu presidente, preenchidas com chá, torradas e bolinhos, canto, recitação e doses maciças de elogio mútuo, que representavam o meio da época, cheio de mesquinhez e artifício. Bocage, que adotara o sobrenome poético de Elmano Sadino, retratou essas reuniões insípidas com a ironia e a graça de que tão bem conhecia o segredo e foi implacável nos seus ataques aos sócios da Arcádia. Também entre José Agostinho de Macedo e Caldas Barbosa houve troca de sátiras mordazes.A sua obra de maior relevo literário é a Viola de Lereno, a coletânea dos versos por si cantados, que se popularizaram extraordinariamente em Portugal e no Brasil. Nela, o seu autor afirma-se como escritor vincadamente brasileiro, pelo vocabulário e pela sintaxe, pelo orgulho de si próprio que destaca "uma preguiçosa doçura" e uma "calda de açúcar" no seu comportamento. Pôs em poesia o dengo das mulatas, dedilhando algumas notas de erotismo, e acomodou processos estilísticos arcádicos ao sensualismo langue dos lundus, versificando em redondilha maior. Fez uso de fraseologia erudita, de interjeições e bordões da sua fala oral nativa, que se foram introduzindo em Portugal.
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