Donald Winnicott

Psicanalista e psiquiatra inglês, Donald W. Winnicott nasceu no ano de 1896, em Plymouth, na Grã-Bretanha. Estudou medicina revelando desde logo um interesse especial pela infância. Mais tarde, interessa-se pela psicanálise, sofrendo influências de Anna Freud e Melanie Klein. Mostra-se, no entanto, mais adepto desta última por considerar as suas posições menos dogmáticas do que as de Freud. Melanie Klein chega mesmo a supervisionar as suas primeiras análises.
Winnicott desenvolveu um intenso trabalho em dois hospitais psiquiátricos londrinos, onde deu, durante cerca de quarenta anos, consultas a crianças. Em tom de brincadeira chamava ao seu local de trabalho o seu "snack-bar psiquiátrico". Winnicott elaborou uma teoria do desenvolvimento, centrando o seu estudo na díade mãe-filho, na qual estudava as relações e as suas consequências sobre o desenvolvimento do lactente, desde os primeiros momentos de vida. Winnicott coloca a tónica na importância que o meio ambiente desempenha do ponto de vista relacional. Utiliza o conceito de integração do Eu e o papel desta integração no desenvolvimento afetivo que vai de uma dependência absoluta à independência. Winnicott introduz também a noção de objeto transacional, que segundo Laplanche e Pontalis (1967), é " um objeto material com valor de eleição para o lactente e para a criança, nomeadamente no momento de adormecer. O recurso a objetos deste tipo é um fenómeno normal, que permite à criança efetuar a transição entre a primeira relação oral com a mãe e a verdadeira relação de objeto".
Winnicott baseou-se, deste modo, na sua experiência clínica para criar toda uma teoria do desenvolvimento que, como ele sempre se preocupou em afirmar, nunca a adotou por si mesma. Dito de outro modo, Winnicott achava fundamental "partir da sua própria experiência e deixar as coisas serem o que são".
Donald Winnicott morreu em Londres no ano de 1971, tendo deixado várias obras, como The family and individual development (1964); L'enfant et le monde exterior (1972); L'énfant et sa famille (1973); Processus de maturation chez l`enfant (1974); Jeu et realité (1975); L'ARC (1977); O ambiente e os processos de maturação (1982); Cahiers de L´ANREP (1988); Conversations ordinaires (1988); Lettres vives (1989).
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