druidismo

Os druidas eram a elite sacerdotal dos celtas anterior à chegada do Cristianismo às regiões do Norte da França e da Grã-Bretanha. A palavra "druida", empregada por César nos Comentários sobre a guerra das Gálias, tem uma raiz indo-europeia e decompõe-se em dru e vid, respetivamente "muito" e "sábio" ou "vidente"; os druidas são, portanto, os "muito sábios". As informações sobre eles chegam-nos, entre outros, de Júlio César, Plínio e Lucano.
A sua educação era secreta, em lugares afastados - na floresta e em cavernas -, durava cerca de vinte anos e era muito rigorosa, já que um número razoável entrava nestas "escolas", mas muito poucos chegavam ao topo, quer dizer, à função de druida propriamente dita. Entre os diversos assuntos estudados eles aprendiam geografia, medicina, astronomia (que era também astrologia), poesia, filosofia e teologia.
A origem do druidismo é muito incerta, colocando-se geralmente duas hipóteses: César afirma que partiu das ilhas britânicas para o Sul; já para Plínio o movimento teria sido inverso, isto é, da Gália para as ilhas britânicas. É possível que o druidismo seja pré-celta, o que quer dizer que já estaria presente nestas regiões quando os celtas lá chegaram. As lendas contam que eles eram originários dumas ilhas do Norte, a morada dos deuses, nas quais havia quatro cidades (Findias, Murias, Gorias e Falias); em cada uma delas vivia um druida (respetivamente, Uiscias, Semias, Esras e Morfesae), sendo cada um deles descendente de Dagda, o Deus primordial, com o qual aprenderam todos os seus conhecimentos. Os druidas tinham a seu cargo o poder espiritual, isto é, a religião e seus rituais, mas também o poder temporal. A sua importância era de tal ordem, no seio da sociedade celta, que tinham a palavra antes do rei, só podendo este falar depois daqueles. Eram consultados para todas as decisões importantes e a sua palavra era lei.
Não deixaram nada escrito, de forma que tudo o que se conhece acerca deles deve-se a estrangeiros que comunicaram diretamente com eles ou que receberam através de outros testemunhos o seu conhecimento; de salientar também a importância dos primeiros padres a contactarem com esta sociedade, pois recolheram e passaram a escrito inúmeras lendas e mitos.
Na mitologia celta os druidas são frequentemente personagens importantes, a quem cabe sempre um papel decisivo, através de fórmulas mágicas ou encantamentos, em que demonstram o seu poder sobre os quatro elementos (terra, água, ar e fogo): um gesto seu, uma palavra mágica sussurrada ou gritada e desencadeia-se uma tempestade, rebenta um trovão ou o vento sopra violentamente; são dotados também do poder de predizer o futuro ou ler o passado. A mitologia celta foi cristianizada pela lendária figura de São Patrício (que, no século V, foi o impulsionador da cristianização na Irlanda, embora quando lá chegou já houvesse monges cristãos), e assumiu apenas uma veste cristã, mantendo a estrutura e a temática próprias do celtismo: são exemplo disso as diversas Demanda do Santo Graal ou as diversas Viagem de São Brandão.
A principal celebração druídica chamava-se Samain, acontecia na primeira Lua cheia do mês de novembro, em que se reuniam todos os druidas. Outra celebração importante ocorria no início de fevereiro, o Imbolc.
O druidismo começou por se extinguir na Gália, devido à influência romana, que pretendia excluir os druidas, através do Direito, dos cargos mais elevados; depois, acabou por desaparecer também das ilhas britânicas através da cristianização.
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