Economia Nacional na Expansão Ultramarina

Durante o período da expansão ultramarina portuguesa registaram-se alterações ao nível da agricultura. O movimento das arroteias continuou, contudo, a um ritmo bastante lento. A pedido das populações, uma série de coutadas foram devassadas ("expropriadas") na última década do século XVI para serem transformadas para a agricultura, entre outras atividades, de modo a melhor servirem os portugueses. Foram igualmente tomadas diversas medidas para fomentar o arroteamento e a secagem de lezírias, pauis e baldios. No decurso da governação do cardeal D. Henrique e de Filipe I de Portugal registou-se mesmo o incremento da arborização nas zonas menos florestadas do país.
Nesta época, o milho, um produto agrícola bem conhecido no primeiro quartel do século XVII nas regiões Norte e Centro, registou um acréscimo da sua importância na economia nacional, substituindo o trigo e o centeio, permitindo, por outro lado, compensar as habituais crises frumentárias. A sua produção, tal como a de outros produtos agrícolas, como o feijão ou os vegetais, permitiu reduzir a dependência em relação ao trigo, centeio ou cevada. A crescente importância do milho está relacionada com o crescimento demográfico verificado no Noroeste e, aliado a outros fatores, esteve na origem da quebra da criação de gado e da produção de laticínios, diminuindo as áreas de pastagens.
O facto de a produção de milho ter aumentado e, paralelamente, ter descido a produção de trigo redundou no crescimento da dependência relativamente à importação de trigo. No seguimento deste problema, nas Cortes de 1581 foi solicitada a autorização do livre tráfico de cereais com a vizinha Castela, o que veio a acontecer no tempo do sucessor de Filipe II. Após a Restauração, Portugal voltou, novamente, a importar cereais do Norte da Europa. Entretanto introduziram-se outras medidas para responder ao recorrente problema da carestia e da fome, como a criação de mapas de periodicidade anual para a produção do trigo (1632), a formação de "silos" para o armazenamento comum, a previsão de uma distribuição, o tabelamento de preços e o aparecimento de um crédito rural em meados do século XVI. Apesar de todas estas medidas, as crises persistiam (entre 1561-1562, 1582-1583, 1596-1597, 1621, 1627, 1632, 1655, 1659), embora a um ritmo mais lento do que anteriormente, mas com resultados não menos gravosos para as populações.
A produção de azeite e de vinho aumentou neste período, em especial deste último produto. Neste sentido, foram lançadas as bases de um comércio ligado à exportação de vinho do Porto para a Inglaterra. Este país importava vinho de Portugal, sobretudo da região meridional, mas no século XVI começou a absorver algum vinho minhoto e depois, em crescendo, do Vale do Douro. Mais tarde, aproximadamente por volta de1650, fixou-se no Porto uma importante comunidade britânica de mercadores ligados ao negócio de exportação de vinhos do Norte do país.
Quanto à fruta, parece ter havido uma expansão da sua produção. Em meados do século XVII terá sido introduzida a laranja proveniente da China. Entretanto, verificava-se um acentuado decréscimo na pecuária, que se refletiria na criação de cavalos.
Nos finais do século XVI, a estrutura comercial parecia a mesma do início do século; no entanto, o comércio encontrava-se bastante mais dependente das mercadorias ultramarinas do que dos produtos exportados diretamente de Portugal, embora estas últimas transações comerciais desempenhassem um papel importante no contexto do comércio europeu.
A metrópole exportava vinho, fruta, sal e azeite para a Espanha, Norte da Europa e países mediterrânicos; destes importava, em grandes quantidades, cereais, têxteis, cobre, prata, produtos manufaturados e luxuosos. Para as colónias da África, América e Ásia, Portugal exportava o mesmo tipo de produtos que exportava para os países da Europa; reexportava metais preciosos, têxteis e artigos de luxo que importava do continente europeu.
O ultramar fornecia à metrópole, por sua vez, os produtos mais rentáveis: as especiarias provenientes da Índia, das Molucas e de Ceilão, cujas remessas, todavia, viriam a decrescer na segunda metade do século XVI e, depois, no século XVII. A queda destas importações obrigou à importação doutros produtos de segunda escolha, como as lacas e as porcelanas da China e do Japão, o açúcar madeirense e o tabaco do Brasil e das ilhas do Atlântico.
Em meados de Quinhentos, desenvolveu-se entre o Brasil e a África o tráfico de escravos, um negócio em crescimento durante todo o século XVII. Também por esta altura aumentou a pesca de bacalhau na Terra Nova.
O bom funcionamento do comércio português foi abalado pela crise internacional de 1545-1552, de 1571-1578 e 1595-1600 e ainda pela crise espanhola de 1607.
A união dinástica de Portugal e da Espanha permitiu a intensificação das relações comerciais entre os dois países e os seus impérios, e ter-se-á refletido na criação, em Portugal, de companhias ou sociedades comerciais introduzidas também por influência holandesa.
A Restauração afetou negativamente o comércio. Muitos comerciantes cristãos-novos foram perseguidos pela Inquisição. Por outro lado, a guerra com Espanha e os ataques ao Império e aos navios portugueses dificultaram o comércio a longa distância. O comércio terrestre com Espanha cessou entretanto e o Mediterrâneo fechou-se ao comércio nacional.
Portugal tentou então implementar as suas relações comerciais com os países do Norte da Europa, mas, no comércio externo, cresceu consideravelmente a sua dependência face à Inglaterra. E com D. João IV tenta-se restabelecer as companhias mercantis.
Entre 1539 e 1641, parecia haver uma grande estabilidade relativamente à moeda portuguesa, o que possibilitou uma quase inalteração do cruzado de ouro, a base deste sistema monetário. Com a Restauração da independência nacional o País atravessou tempos atribulados, que se ressentiram na instabilidade da moeda.
Devido ao aumento da participação do Estado no ultramar no século XVI, as despesas das finanças tornaram-se mais dependentes dos acontecimentos externos, uma vez que as receitas, bem como as despesas, aumentavam ou diminuíam consoante a conjuntura da Ásia, da África, da América e mesmo da Europa. Apesar das crises e de alguns ajustamentos financeiros, durante este período circulou muito dinheiro em Portugal, principalmente até cerca de 1620. Apesar das dificuldades, o Estado obteve empréstimos com relativa facilidade para suprir as suas necessidades.
À imagem do resto da Europa, em Portugal houve também uma "revolução de preços" até ao século XVII, que depois desta centúria estagnaram. Esta revolução de preços foi cíclica, interrompida pelas crises económicas.

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