economicismo

Perspetiva teórica cuja tendência dominante procura explicar os fenómenos sociais e/ou os factos sociais em função dos interesses/necessidades económicas que os determinam. Frequentemente associada ao que se designa por determinismo económico, esta perspetiva relaciona-se intimamente com a visão marxista, que sobrevaloriza a posição explicativa dos fatores considerados económicos na evolução dos processos sociais e políticos. Na linguagem política marxista, a tendência teórica economicista poderá resumir os interesses do movimento operário, denominado luta de classes, a uma procura imediata de reivindicações fundamentalmente relacionadas com as remunerações/benefícios sociais e condições de trabalho em geral, portanto relativas à ordem material, relegando para um segundo plano de análise a finalidade política da classe trabalhadora. Efetivamente, o economicismo, que constitui igualmente um sinónimo da interpretação económica da História, evidencia os interesses meramente económicos (espírito capitalista, recursos naturais, tecnologia e propriedade, por exemplo) como forças simultaneamente dominantes e determinantes na vida social, assim como nos processos de mudança social.
Certas formulações de Karl Marx parecem conduzir a uma tentativa de explicação da mudança social por determinismos económicos e tecnológicos. Todavia, uma análise mais atenta da sua produção literária possibilita a verificação de que para ele os movimentos da sociedade são explicados fundamentalmente pelas configurações que as trocas sociais assumem em determinado momento histórico. Assim, a sociedade capitalista moderna é fundamentalmente modelada pelas formas dominantes que o trabalho pode assumir.
Contudo, e como efetivamente observa Marx, a formação de uma economia de troca constitui uma consequência de um determinado processo histórico. Sendo assim, o capitalismo constitui um sistema de produção historicamente específico. Todo o fenómeno económico é, simultaneamente, um fenómeno social e a existência de uma determinada configuração de sistema económico pressupõe a de um certo tipo de sociedade. Neste sentido, deve referir-se que, de acordo com a perspetiva economicista, o fator trabalhador/humano se encontra incluído na rubrica "custos", equiparando-o, deste modo, a qualquer outro tipo de dispêndio de capital, ignorando que qualquer sistema de produção assenta, antes de tudo, em relações sociais historicamente determinadas.
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