Eduarda Dionísio
Ficcionista, autora dramática e crítica literária, nascida em 1946 e falecida em 2023. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, foi professora do ensino secundário e além de ficcionista, destacou-se pelo seu intenso envolvimento social e político, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980.
Participou em exposições coletivas de artes plásticas, escreveu algumas antologias de textos literários portugueses e participou ativamente na área do teatro, tendo chegado, inclusive, a representar na Cornucópia e no Bando. Fundou a efémera revista Crítica (1971) e colaborou em várias publicações periódicas como Seara Nova ou Diário de Lisboa.
No domínio da criação dramática, compôs Primavera Negra, uma colagem de textos de Raul Brandão, e, em parceria com Antonino Solmer, a peça Dou-Che-Lo Vivo, Dou-Che-Lo Morto.
A sua estreia literária fez-se, em 1972, com a obra Comente o Seguinte Texto, revelando desde logo uma arte narrativa peculiar, evocando um ambiente onde alunos prestam provas, comentando um texto sob a vigilância do professor.
Na sua ficção, a reflexão sobre o devir do Portugal pós-25 de abril inscreve-se, numa articulação entre a dimensão individual e a dimensão geracional e nacional, numa arte que assume a sua missão de intervenção social, sem descurar as possibilidades de experimentação no texto romanesco enquanto espaço onde confluem registos e documentos diversos.
Destacam-se ainda na sua obra: Histórias, Memórias, Imagens e Mitos Duma Geração Curiosa, obras que evocam ambientes relacionados com a profissão da autora.
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