Edward Sapir

Antropólogo e linguista norte-americano, Edward Sapir nasceu em 1884, em Lauenburg, Pomerânia ( Prússia, hoje Alemanha), mas, ao completar cinco anos de idade, a sua família emigrou para os Estados Unidos . Estudante da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, Sapir formou-se em Filologia Germânica, estudando seguidamente Antropologia sob a orientação de Franz Boas, que o motivou para o estudo da (recém-criada) Etnolinguística. Foi igualmente Boas que o inspirou para o estudo das linguagens nativas do oeste dos EUA, a que Sapir devotaria grande parte dos trabalhos de campo que efetuou e das monografias que produziu ao longo da sua fecunda vida académica.
A partir de 1910, Sapir trabalhou como etnólogo e diretor da secção antropológica do Canadian National Museum, em Otava, no Canadá, tendo editado, em 1921, aquela que é considerada a sua mais importante obra, Languages: an Introduction to the Study of Speech, marco histórico no estudo científico das línguas e do seu papel na existência social e cultural do Homem. Em 1925, Sapir optou pelo ensino de Antropologia e Linguística na Universidade de Chicago, continuando a desenvolver as suas pesquisas sobre as linguagens dos índios norte-americanos, tal como faria na Universidade de Yale (1931-1939), onde terminaria a sua vida, não sem antes ter aí criado e dirigido o Departamento de Antropologia.
Edward Sapir é um dos nomes fundamentais da Etnolinguística, e da relação entre a Antropologia e a Linguística, de uma forma geral. Estando diretamente ligado ao desenvolvimento deste ramo do saber, Sapir foi, essencialmente, um pioneiro ao defender que a linguagem desempenha muito mais do que um simples papel de instrumento de comunicação entre os homens. Utilizando conhecimentos oriundos de disciplinas tão diversas como a Psicanálise, a Fonética ou a Etnologia (que, através dos suas recolhas sobre as linguagens índias, lhe forneceu os dados empíricos de que necessitava), Sapir demonstrou que a linguagem está diretamente envolvida na atribuição de sentidos ao mundo pelos indivíduos, funcionando como um dos elementos centrais da forma como os homens vivem, se veem a si próprios e se organizam. Neste âmbito, Sapir nunca perdeu de vista as relações entre os fatores socioculturais e os elementos da personalidade, que, segundo ele, conjuntamente com a linguagem e o inconsciente, formam um sistema integrado, que deve ser estudado por uma ciência humana igualmente integrada. Sapir contribuiu decisivamente para uma rutura epistemológica e teórica nas ciências humanas ao criticar aberta e radicalmente as correntes dominantes do pensamento social da sua época, com destaque para o evolucionismo e o funcionalismo. Simultaneamente, e como vimos atrás, Sapir abriu caminho para o que ficaria muito depois conhecida como a "viragem linguística" ou "viragem discursiva" nas ciências humanas, que fez a linguagem passar a ser considerada um aspeto central dos processos sociais e culturais.
Investigador, professor e autor brilhante, e, apesar disso, extremamente humilde, Edward Sapir, pela excelência académica indiscutível que sempre manifestou, é, com certeza, um dos expoentes máximos da Antropologia do século XX. A admiração e inspiração que suscitou nos seus alunos e colegas foi de tal ordem que alguns destes organizariam e publicariam um volume constituído pelos ensaios de Sapir. Esta obra intitula-se, de forma bastante adequada, Culture, Language, and Personality (1949).
Outras obras de Sapir: Noun Reduplications in Comox, a Salix Language of Vancouver Island (1915); Sound Patterns in Language (1925); The Expression of Ending - Point Relation in English, French and German (com M. Swadesh, 1932); La Realité Psychologique des Phonèmes (1933); Anthropology (2 vols., 1967); Linguistique (1968).
Como referenciar: Edward Sapir in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-20 23:35:17]. Disponível na Internet: