empatia
A empatia tem sido normalmente definida como a capacidade psicológica que permite, de uma forma aprofundada e íntima, a compreensão de ideias, sentimentos e motivações de outras pessoas.
Carl Rogers, um dos principais psicólogos responsáveis pelo estudo da empatia, nomeadamente no âmbito do processo de intervenção psicoterapêutica, definiu-a da seguinte forma: "Captar o mundo particular do paciente como se fosse o seu próprio mundo, mas sem nunca esquecer esse carácter de "como se" - é isso a empatia [...]".
A maioria das definições de empatia distingue dois níveis nesta dimensão psicológica:
1) uma capacidade afetiva para compreender e partilhar sentimentos dos outros;
2) uma capacidade cognitiva para compreender pontos de vista e perspetivas alheios. Alguns autores identificam ainda, dentro de uma definição mais lata de empatia, a capacidade para transmitir aos outros, de forma verbal e não verbal, a compreensão desses sentimentos e ideias.
As investigações que foram realizadas em torno desta variável permitiram constatar a existência de acentuadas diferenças em termos de capacidade empática quando se analisam populações de diferentes idades. Os adultos apresentam níveis mais elevados de empatia do que as crianças e entre estas também se constatam diferenças consoante a sua idade: as crianças mais novas são menos empáticas do que as crianças mais velhas. Esta evolução da capacidade de empatia segue de perto a evolução desenvolvimental ao nível cognitivo e interpessoal. Sabe-se, a partir das investigações conduzidas com base nas propostas da abordagem estrutural-construtivista, em particular nos trabalhos de Jean Piaget e Robert Selman, que o desenvolvimento cognitivo e interpessoal se processa de um nível marcadamente egocêntrico e pouco diferenciado para outro em que se procede à diferenciação, coordenação e integração de múltiplas perspetivas numa estrutura organizada, ao nível do pensamento e da conceção das pessoas e das relações interpessoais.
Sendo a empatia uma variável sociocognitiva importante no funcionamento interpessoal dos indivíduos, e partindo-se do pressuposto de que o desenvolvimento deve constituir uma das principais finalidades da educação, foram propostas algumas estratégias, para empregar ao nível da sala de aula, com o objetivo de promover o desenvolvimento da empatia e do comportamento pró-social.
Dentro destas, são de distinguir duas:
1) aprendizagem cooperativa: trata-se da organização de equipas de trabalho, normalmente de composição variada ao nível de características diversas (aptidão, género, raça, etc.), que permitem a interação entre os indivíduos diferentes e, por essa via, possibilitam uma capacidade acrescida de lidar com diferentes pontos de vista;
2) aprendizagem interpares: consiste na criação de oportunidades de colaboração entre pares de crianças ou jovens, em termos de apoio escolar. Normalmente, um dos elementos do par assume o papel de tutor que acompanha e ajuda o outro em vários domínios, que podem incluir o apoio ao estudo e à realização das tarefas escolares. Os benefícios desta abordagem não se limitam ao desenvolvimento da empatia, condição básica numa relação de ajuda, mas estendem-se a outras variáveis psicológicas, nomeadamente o altruísmo e a autoestima.
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