empirismo

É a tendência que perpassa todas as correntes filosóficas que, de um modo mais ou menos acentuado, consideram a experiência sensível, ora como a única válida à garantia do conhecimento verdadeiro, ora como o ponto de partida para esse conhecimento, podendo este, no entanto, ultrapassar posteriormente a experiência sensível. De um modo ou de outro, o empirismo designa sempre uma redução, total ou parcial, do conhecimento à experiência direta que os sentidos recebem.
Ao longo da história da filosofia ocidental podemos encontrar sinais de empirismo logo na Grécia antiga com o atomismo, o estoicismo e o epicurismo. Desde o Renascimento, altura em que a tendência experimentalista vai crescendo, encontramos também alguns sinais de empirismo. Como exemplo culminante desta tendência temos Francis Bacon. É só a partir do século XVII que podemos falar de empirismo propriamente dito, com filósofos como Thomas Hobbes, John Locke e David Hume. É necessário reconhecer, todavia, as variantes doutrinais que este movimento assume em cada um destes autores. Com Berkeley assistimos a um fenómeno interessante que se manifesta no facto de tudo reduzir, mundo exterior e interior, à consciência, donde resulta ainda um empirismo, pois a experiência é aqui o ponto mais elevado que garante o conhecimento e que nega a matéria - aqui o empirismo coincide com o idealismo. O positivismo do século XIX é também um empirismo, tal como o do Círculo de Viena o será também. O empirismo, ou mais propriamente uma tendência para o empirismo, repercute-se ainda na filosofia intuicionista de Henri Bergson. Na fenomenologia de Husserl, a tendência empirista é elevada ao extremo.
Em Portugal, o empirismo não encontrou muitos adeptos, contudo, haverá que registar a influência de John Locke sobre Luís António Verney.
Podemos concluir que o empirismo, respondendo a um desejo de objetividade e rigor, acabou muitas vezes por se tornar demasiado redutor, esquecendo o imenso mundo da alma e da experiência interior.
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