enfisema

O enfisema pulmonar é uma doença obstrutiva crónica, não reversível, de evolução lenta.
Esta patologia caracteriza-se pela destruição de tecido pulmonar, nomeadamente, ao nível dos alvéolos (pequenos sacos com paredes formadas por uma monocamada celular), sendo este processo acompanhado de uma perda de elasticidade e aumento do volume pulmonar. Ocorre ainda uma diminuição da intensidade de cor do pulmão, acompanhada do surgimento de cavidades, devido à dilatação dos espaços aéreos distais. Contrariamente a outras patologias que provocam a destruição de tecido pulmonar, não surge fibrose.
A principal consequência deste processo é a diminuição da eficácia dos processos respiratórios, devido não apenas à diminuição das trocas alveolares, como também ao aumento do volume de ar residual. De acordo com a localização das lesões no pulmão, o enfisema pode ser classificado em quatro categorias: centrolobular, panlobular, parasseptal e enfisema irregular.
Quase todos os casos conhecidos (mais de 95%) resultam da existência de hábitos tabaquistas, manifestando-se a patologia, sobretudo, no decurso da quinta ou sexta década de vida. Embora nem todos os fumadores apresentem a mesma predisposição para o desenvolvimento da doença, a probabilidade de ocorrência aumenta com o número de cigarros diariamente consumidos.
Os hidrocarbonetos contidos no tabaco provocam a destruição dos tecidos alveolares, sendo essa degradação progressiva, com a persistência do tabaquismo. Com a paragem do consumo de tabaco, a expansão dos danos cessa também.
Uma outra causa possível, se bem que muito pouco frequente, é a deficiência congénita de uma enzima - a alfa-1-antitripsina -, pertencente à classe das antiproteases. Nestes casos, a patologia pode-se manifestar mais cedo.
Os principais sintomas são a falta de ar, progressivamente mais evidente, tosse, respiração ruidosa, cansaço, tórax em barril, perda de peso e, nalguns casos, a associação a casos de bronquite crónica. São também frequentemente mencionados a ocorrência de cianose e uma produção abundante de catarro, acompanhado de tosse.
O diagnóstico é feito com base na análise do historial clínico e de consumo tabaquista do paciente, acompanhado de diversos exames complementares, que podem incluir exames de imagiologia (raio X pulmonar e tomografia computadorizada torácica), análises sanguíneas e provas respiratórias funcionais (espirometria). No caso de deficiência de alfa-1-antitripsina, o diagnóstico passa pelo doseamento sanguíneo desta enzima.
A estagnação da progressão do enfisema só é assegurada pela paragem do consumo de tabaco, sendo o tratamento destinado apenas a aliviar os sintomas, já que não é possível a regeneração dos tecidos destruídos. Como auxiliares terapêuticos, podem ser usados corticoides, broncodilatadores (com efeito menor ou mesmo nulo, em comparação com os resultados obtidos nos casos de bronquite crónica), oxigenioterapia e, nos casos mais graves, pode mesmo ser recomendada a realização de uma cirurgia de redução pulmonar ou um transplante pulmonar, uni ou bilateral. A fim de evitar o agravamento do quadro de dispneia, é recomendada a vacinação antigripe e o uso rápido de antibióticos em caso de ocorrência de patologias que afetem as vias respiratórias (ex., constipações). Deve ser evitada a frequência de locais poluídos, seguindo-se um plano de dieta e exercício equilibrados e ajustados.

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