entrepreneurship

As empresas são um elemento fundamental da maioria dos sistemas económicos, sendo grosso modo as responsáveis pelo lado da oferta de bens e serviços nos vários mercados. Ao longo da evolução da teoria económica e dos modelos por ela criados, a atividade empresarial e o papel dos empresários como responsáveis das empresas foi frequentemente subvalorizado com base em pressupostos assumidos como o da existência de informação perfeita para todos os agentes económicos. Ora, de acordo com este pressuposto, o papel dos empresários seria pouco relevante, na medida em que não existiria designadamente o processo de tomada de decisão em contexto de incerteza. É sabido, no entanto, que na prática o papel dos empresários como responsáveis das empresas assume uma importância fulcral em todo o sistema económico, havendo já diversos estudos e abordagens acerca deste tema.
O conceito de entrepreneurship consiste precisamente no conjunto de aspetos que estão ligados à gestão praticada pela figura do empresário (entrepreneur), particularmente no que respeita à vertente de criação de novos negócios e de novas empresas. É neste contexto que na língua portuguesa se utiliza como conceito aproximado o de empreendorismo, salientando o papel dinâmico do empresário como criador e gestor de novos negócios.
A avaliação da atividade do empresário e do seu grau de sucesso na prossecução dos seus objetivos implica a tomada em consideração de múltiplos aspetos influenciadores, de onde se destacam os seguintes: o papel do empresário como entidade que assume riscos, tendo em conta, designadamente, o facto de as decisões serem tomadas em contexto de incerteza; o papel do empresário como organizador dos meios de produção (técnicos, financeiros e humanos) de uma empresa; os objetivos do empresário, normalmente associados à ideia da obtenção de lucros; o papel do empresário no processo de inovação tecnológica da sociedade; o estudo da figura do gestor, que, embora não sendo proprietário dos meios de produção, partilha com o empresário muitas atividades concretas; as características psicográficas do empresário (motivação, liderança, cultura, experiência de vida, etc.); o enquadramento da empresa e do empresário na comunidade onde se inserem; o percurso de vida que conduz ao exercício da atividade de empresário; etc. Muitos aspetos associados ao entrepreneurship foram tratados por diversos autores, sendo de destacar os contributos de Richard Cantillon, Joseph Alois Schumpeter e Friedrich A. Hayek (enquadrado na escola austríaca).
Richard Cantillon é considerado o criador do conceito de "empresário", que considerou alguém que organiza e assume os riscos de uma empresa em troca de lucros. Cantillon sublinhou sobretudo a vertente de assunção de riscos por parte do empresário.
Schumpeter deu muita relevância ao papel do empresário no processo de "destruição criativa", ou seja, de destruição das empresas antigas e ineficientes e sua substituição por novas e inovadores estruturas em que o empresário assume papel primordial. Neste contexto, o empresário é visto como pioneiro na inovação e criação de novas empresas.
Hayek e os austríacos fizeram incidir a sua análise na vertente do papel dos empresários como definidores dos preços de mercado na compra e na venda de forma a obterem lucro através da diferença.

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