épica

A épica é um género narrativo de origem remota documentado nas mais diversas culturas. O género épico distingue-se pela presença de certas características temáticas e formais: o heroico, o maravilhoso e o histórico combinados numa narrativa poética declamatória composta com vista à celebração, através dos feitos audaciosos de um herói, da gesta de uma nação ou de um povo. Esta aceção lata engloba quer formas épicas medievais de tradição oral, fixadas posteriormente pela escrita, como os cantares de gesta franceses, as sagas nórdicas ou os niebelungos germânicos, quer um dos géneros literários mais elevados, teorizado na antiguidade greco-latina, a epopeia. Nesta última aceção, concretizada nas obras paradigmáticas de Homero, Ilíada e Odisseia, e na Eneida de Vergílio, que servirão de modelo, no Renascimento, por exemplo, aos Lusíadas de Luís de Camões, a epopeia distingue-se por uma composição específica que faz suceder uma proposição, uma invocação e uma narração encetada em media res. Contrariamente à cultura épica medieval castelhana e carolíngia, onde avultam os vestígios literários de transmissão de cantares épicos, é discutível a existência de uma épica medieval portuguesa. O texto mais próximo do género, denominado por António José Saraiva de Gesta de Afonso Henriques, baseia-se nos manuscritos da IV Crónica Breve, onde se afirma a legitimidade do reino português através dos feitos do herói da fundação da nacionalidade. Mais inequívoco é, para a maior parte dos críticos, assinalar o início da literatura épica em Portugal com as estrofes épicas insertas na Crónica do Imperador Clarimundo (1522) e com as pequenas composições sobre a tomada de Azamor de Luís Anriques e Aires Teles incluídas no Cancioneiro Geral, publicado em 1516.
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