episódios da vida romântica

Eça de Queirós, à maneira do naturalista francês Honoré de Balzac, na "Comédia Humana", chegou a projetar uma série de doze novelas com o título "Cenas da Vida Portuguesa". Em alguns dos romances desse projeto, usa subtítulos, que surgem como fio condutor do propósito que persegue de pintar a sociedade portuguesa. Assim surgem, por exemplo, "Episódios da vida romântica" para Os Maias; "Cenas da vida devota" para O Crime do Padre Amaro; "Episódio doméstico" para O Primo Basílio.
Em Os Maias, não só o desenvolvimento da comédia de costumes, mas também a intriga são sugeridos por esse subtítulo "Episódios da vida romântica". Aí se percebe o contexto social de uma época e a ação que envolve Carlos da Maia e Maria Eduarda.
Ao longo da obra, contactamos com cenas e casos da vida e da sociedade romântica da época da Regeneração, com personagens que tipificam diferentes níveis sociais. A visão crítica de Eça de Queirós incide sobre o mundo social e político da Lisboa finissecular, com os seus costumes e vícios, que não foi capaz de superar a crise de personalidade e de autenticidade cultural do Romantismo, apesar de personagens como Ega ou Carlos se mostrarem defensoras dos princípios do Realismo e do Naturalismo. No final de Os Maias, Ega acaba por manifestar uma certa apreciação pelo "português genuíno" que foi Alencar e que ao longo da obra representou o Romantismo.
Eça de Queirós mostra-nos que não é fácil deixarmos de estar em consonância com o tempo em que vivemos, pois João da Ega e Carlos procuraram outro rumo, mas acabaram por reconhecer que não alteraram muito uma conduta e um espírito tradicionalmente aceite.
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