Ermida de S. Brás (Évora)

Extramuros da cidade de Évora, no denominado "Rossio da Corredoura", ergueu-se no século XV a Ermida de S. Brás. Este pequeno e harmonioso templo eborense foi construído em terrenos pertencentes a D. Leonor de Castro, mulher de D. João II e doados por este monarca ao bispo D. Garcia de Meneses. Esta doação régia, e posterior confirmação, ocorreu entre 1480 e 1483, encontrando-se já esta ermida aberta ao culto no ano de 1490.
No entanto, uma profunda remodelação do pequeno templo ocorreu no 3.º quartel do século XVI, empreendimento da responsabilidade mecenática do Bispo do Porto, D. Frei Luís de Sousa. A Ermida de S. Brás receberia um rude golpe em 1663 com as guerras da Restauração, altura em que um bombardeamento de artilharia danificou gravemente a sua estrutura e decoração internas.
Da primitiva construção quatrocentista subsiste a elegante galilé de arcos ogivais, assente em grosseiros colunelos com capitéis fitomórficos. O templete desenha uma planta retangular e a silhueta apresenta um recorte arquitetónico de cariz militar. Corre superiormente uma platibanda com ameias chanfradas, intercalada por torres cilíndricas, com gárgulas zoomórficas, coroadas por cónicos coruchéus. A cornija apresenta vestígios de um friso esgrafitado com heráldica do reinado de D. Manuel I. Da cobertura da capela sobressai o seu pequeno zimbório.
Com uma só nave, o interior de ermida apresenta o zimbório e o arco triunfal forrado com azulejos enxaquetados, verdes e brancos, de reflexos metálicos. A destruição das guerras da Restauração fizeram grandes danos à decoração interior, salvando-se algumas tábuas maneiristas do retábulo-mor quinhentista, algumas alusivas à vida de S. Brás e outras narrando o Nascimento e Ressurreição de Cristo. Sobressai ainda uma escultura de madeira policromada representando S. Brás, o orago da ermida.
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