Esparta: Sociedade Militar

A situação geográfica de Esparta influenciou na formação do carácter dos espartanos. Isolada no Sudeste da Península do Peloponeso, a partir do século VI, vai caracterizar-se por ser uma sociedade, eminentemente, militar e virada para o continente, conservadora e bélica. Para além disso, a aridez do solo e a inexistência de bons portos para a navegação fez com que Esparta tivesse como base da economia uma agricultura incipiente.
Após a invasão dos dórios, Esparta constituiu-se como um pequeno Estado, com uma sociedade organizada e conservadora. Para isto e segundo a tradição, contribuiu Licurgo, legislador mítico do século IX a. C. que aumentou o poder do Senado (Gerúsia) em detrimento do poder dos reis, e os direitos da Assembleia Popular (Apella), além de criar cinco éforos (magistrados) e de proclamar a igualdade de todos os cidadãos, sem ter em conta a riqueza e a sua ascendência, onde os interesses particulares são sobrepostos pelos da coletividade. A estas reformas ficou a dever o poder militar que era objeto de inveja por parte dos outros estados gregos. Porém, a tendência aristocrática da sociedade espartana suscitava constantes discórdias entre as três categorias ou classes da sua população que diferiam em número e em direitos: os Homoioi, os Periecos e os Hilotas.
Os primeiros encontravam-se no topo da sociedade. Eram os descendentes dos dórios. Os verdadeiros cidadãos espartanos de pleno direito, os pares, ou iguais. A sua classificação era feita segundo várias condições: em primeiro lugar, pelo nascimento, já que a lei só reconhecia como espartanas as crianças nascidas de pai e mãe espartanos; a segunda e a terceira, eram de ordem económica e moral, isto é, o espartano, tendo em conta a origem do seu nascimento, devia garantir, mais tarde, a possibilidade de contribuir materialmente para a refeição comum e qualquer espartano que se recusasse a submeter-se à educação e disciplina podia ser excluído da cidade. A eles estava vedada toda a atividade económica, dependendo das outras classes (Periecos e Hilotas, que estavam obrigados ao serviço militar, mas não possuíam poderes políticos) para satisfazer as suas necessidades. Eram os únicos que participavam no poder. Eram os senhores da terra, mas não cultivavam, recorrendo, para isso, ao trabalho dos Hilotas. Os espartanos, ou Homoioi, ou cidadãos de pleno direito dedicavam-se, única e exclusivamente à vida militar, formando uma casta de guerreiros privilegiada. O sistema espartano, totalitário e policial não reconhecia a vida privada, representando uma reação contra os oikos, uma vez que os valores familiares são combatidos. Toda a vida dos espartanos era organizada em função do Estado e para ele. Logo que nasciam, as crianças eram apresentadas aos anciãos da tribo e se fossem fracas eram mortas imediatamente, medida esta que proporcionava ao Estado ter ao seu serviço, no seu exército, homens fortes para aguentarem as durezas das guerras. Aos 7 anos de idade, o jovem espartano era tirado à família e a sua educação, exclusivamente militar, passava a depender do Estado, para lhes incutir o ideal de virtude guerreira e de obediência. Aos 20 anos, terminada a educação militar, o jovem espartano ingressava num dos grupos que todos os dias se reuniam para tomar a refeição comum, por outras palavras, ascendia à categoria adulta dos homens. Obrigado a casar-se, raramente via a esposa, pois tinha de continuar a viver com os seus companheiros de escola até aos 30 anos, só ficando livre do serviço militar aos 60 anos. O único propósito era criar bons e leais soldados. A desproporção numérica entre a classe dos Homoioi e dos Periecos e Hilotas, assim como as constantes lutas em que Esparta se via envolvida e que agravavam esta situação, levou a que fossem tomadas medidas de segurança, instituindo-se a Criptia, através da qual os jovens eram educados no sentido de atacar de surpresa e matar cruelmente todos os Hilotas que fossem considerados perigosos para a ordem e segurança do Estado. A mulher recebia educação semelhante: para além da música, do canto e da dança, que tinham constituído a base da sua formação na época arcaica, passou a ser administrada, na época clássica, a ginástica e as competições, com o único objetivo de poder dar muitos filhos saudáveis ao Estado espartano, cada vez mais despovoado.
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