especulação
Em termos estritos, especular significa observar e prever variações ao nível dos preços e cotações de determinados ativos com vista à obtenção de um lucro a partir da flutuação desses preços ou cotações. Trata-se de uma prática comum ao nível de vários mercados, designadamente nos mercados de valores mobiliários, e consiste genericamente na compra, num primeiro momento, de um determinado bem ou valor, com vista à sua venda num outro momento ou lugar a um preço mais elevado.
A especulação pode ser então realizada com base na diferença de preços em termos temporais (entre dois momentos de tempo) ou com base na diferença de preços entre dois locais de transação. Este último, é por exemplo, o caso da arbitragem de moedas em que os seus executantes aproveitam as eventuais e momentâneas diferenças de câmbios em duas ou mais praças diferentes.
Para a moderna teoria económica, a especulação assume um papel importante na sociedade, na medida em que permite a deslocação no tempo ou no espaço de bens e valores de locais onde são abundantes para outros onde se verifica a sua rarefação. Esse efeito provém do facto de os especuladores, embora não tendo por regra qualquer interesse em adquirir efetivamente os ativos que transacionam, procederem à sua compra num determinado momento ou lugar onde estes existem em abundância (e, portanto, os preços mais baixos) e à sua venda num outro momento ou lugar onde existem em menos abundância (sendo os seus preços naturalmente mais elevados).
A atividade especulativa é por natureza uma atividade com risco, na medida em que estão normalmente em causa previsões relativamente à evolução de preços. Neste contexto, as operações especulativas servem como contrapartida em operações de cobertura de risco levadas a cabo por outros agentes económicos, nomeadamente aqueles que recorrem aos mercados para efetivamente adquirirem bens e outros ativos. Também aqui a especulação se apresenta como uma atividade desejável e importante ao nível do funcionamento da economia.
A má imagem muitas vezes atribuída à especulação provém fundamentalmente do facto de ser considerada uma atividade não produtiva e que procura incessantemente a busca de rendimentos financeiros.
Paralelamente, deve também referir-se que a especulação pode ter efetivamente em alguns casos efeitos nefastos. Tal é o caso, por exemplo, da atuação isolada ou conjunta de especuladores com a intenção de provocar uma variação artificial dos preços no sentido das previsões por eles efetuadas. Outra situação é a que resulta da eventual sobrevalorização de rumores ou notícias que pode levar à ocorrência de bolhas especulativas que resultam em última instância no aumento do preço dos ativos e viciação das regras normais dos mercados.
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