Espírito Gentil (1888)

Coletânea de poesias, dividida em três partes, numa estruturação que de certa forma traduz diferentes opções métricas: na primeira parte, predominam os metros e as estrofes tradicionais; na segunda, os versos alexandrinos; a terceira é composta exclusivamente por sonetos, em versos decassílabos, alexandrinos e de redondilha menor. O sema eufórico da claridade, presente desde a "invocação" inicial à "clara manhã", perpassa toda a obra ("Luz!"), até mesmo na idealização da figura feminina ("Olhar divino", "Mistério doce", "Sonho divino", "Ninguém!"), que se apresenta intimamente ligada ao próprio ato de criação poética (sobretudo nos sonetos que abrem a terceira parte, "Todos os versos que eu escreva rindo", "Desde que tu aceites os meus versos"). Os temas do desengano e da fugacidade do tempo afloram em "Velhinha", "Vem", "Dia de nuvens". Do ponto de vista do estilo, salientam-se a musicalidade e as notações sensoriais: "Onde há rios que são como listões de prata,/ Caudais, em cujo dorso a aurora em ânsia freme,/ E, de cujo galgão, tal jorro se desata,/ Que parece um cristal do puro e mais estreme" (do poema "Paraíso").
Como referenciar: Espírito Gentil (1888) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-17 00:22:57]. Disponível na Internet: