Estado Novo no Brasil

O período da História do Brasil, a que se dá o nome de Estado Novo decorreu entre 1937 e 1945, durante o qual Getúlio Vagas governou o país. Estado Novo foi uma denominação tirada da ditadura do mesmo nome, que teve lugar em Portugal de 1933 a 1974.
O pronunciamento de 10 de novembro de 1937 foi feito na rádio. O ato foi justificado pela existência de um plano comunista, o Plano Cohen, contra o qual era preciso agir. Mais tarde, ficou-se a saber que este plano nunca existira. A instauração da ditadura correu sem oposição, a não ser um protesto por parte do Rio Grande do Sul. A 11 de maio do ano seguinte houve uma tentativa de deposição de Vargas, conhecida por Levante Integralista. Depois deste episódio, foi criada a Guarda Negra, que garantia a segurança pessoal do presidente.
As condições que possibilitaram o êxito do Golpe de Estado de 1937 remontam à crise económico-social do final da década de 20, precipitada pelo crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929. As grandes fortunas alicerçadas na produção e comércio do café entraram em decadência. Novas forças emergiram nesta sociedade muito eclética, mas sem expressão própria, e que viram em Getúlio Vargas uma oportunidade de afirmação. O início do Estado Novo ficou marcado pelo encerramento do Congresso Nacional e a extinção dos partidos políticos. Getúlio Vargas outorgou uma nova Constituição, conhecida por "A Polaca", no mesmo dia em que tomou o poder. Esta era apenas um manifesto das suas pretensões autoritárias, já que o poder executivo se encontrava, em exclusivo, nas suas mãos. O presidente governou sempre por decretos-lei. O Plebiscito nunca chegou a ser convocado nem as eleições agendadas.
Entre as medidas tomadas, no início da sua governação, conta-se a nomeação de elementos da sua confiança para governar os Estados, profissionalização das Forças Armadas e do serviço público, desarmamento das forças estaduais e a implantação da censura. Tomou medidas para centralizar os serviços administrativos, reformulou os impostos, instituiu o salário mínimo, o descanso semanal remunerado, o dia de trabalho de 8 horas e o direito à aposentação. Regulamentou ainda o trabalho infantil e das mulheres e promoveu a estabilidade no trabalho. O Código Penal e o Código de Processo Penal elaborados nesta época, ainda se encontram em vigor.
O setor económico foi o mais visado durante o Estado Novo para promover o regime. Para tanto, Getúlio Vargas, não só centralizou as atividades económicas como promoveu o nacionalismo como força aglutinadora das diversas forças sociais e económicas. Para atuar como moderador e mediador entre a entidade patronal e os operários, instituiu-se o peleguismo sindical. A colonização das regiões interiores foi outra das prioridades do Estado Novo, levando à colonização do norte do Paraná e à criação dos territórios federais nas fronteiras. O Brasil manteve-se neutro na Segunda Guerra Mundial, até que em 1942, os países sul-americanos tomaram uma posição contra os ataques japoneses aos Estados Unidos. O governo viu-se obrigado a aderir e a enviar soldados para Itália.
O primeiro protesto organizado contra o governo de Getúlio Vargas, o Manifesto Mineiro, teve lugar em 1943, no estado de Minas Gerais. Com o fim da guerra, o descontentamento face ao governo era palpável. São anunciadas medidas apaziguadoras como o fim da censura, a organização partidária, a amnistia e a realização de eleições, mas já vinham tarde. A 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas é deposto por um movimento militar, pondo fim ao Estado Novo. O presidente Eurico Dutra sai vencedor nas eleições de 2 de dezembro e uma nova página na História do Brasil começa.
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