Estados Latinos da Terra Santa

A primeira cruzada instalou nobres ocidentais, com seus contingentes militares, nas primeiras cidades conquistadas, que se tornam a base dos futuros estados latinos: o condado de Edessa (1098 até 1144); o principado de Antioquia (1098 até 1268); o reino de Jerusalém (1099); o condado de Trípoli (1109 até 1289), aos quais se associam os reinos de Chipre (1192-1489) e da Arménia (1198-1375).
Do Ocidente vêm mais cavaleiros que constituirão a estrutura militar dos novos estados, bem como colonos que se estabelecem em cidades ou aldeias (graças à concessão de terras) e peregrinos nos lugares santos ou nos portos. Há, pois, uma justaposição destes "latinos" sobre os autóctones: assiste-se ao despojamento progressivo da aristocracia e da rica classe mercantil muçulmanas. Certos senhores arménios são também eliminados. Apesar de tudo, e além destes casos, os diferentes estratos da população manterão o seu anterior estatuto e instituições, para além da religião, dado que não houve conversão forçada. Só no século XIII, devido em parte às tentativas de aproximação das Igrejas, é que haverá uma certa imposição dos cristãos. Os muçulmanos convertidos forneceram efetivos para a cavalaria ligeira dos cristãos.
Em 1109, Jerusalém começa a ganhar preponderância sobre os outros estados cristãos, com os seus reis a intervirem nos assuntos dos seus congéneres, defendendo-os contra os muçulmanos.
O esquema social de cada Estado assentava no sistema feudal, com senhores vassalos do rei, príncipe ou conde, com senhorios e também cavaleiros com feudos, servindo os senhores. O direito é o feudal que foi transportado da Europa para o Levante. Algumas cidades como Acre e Trípoli têm um estatuto comunal. A Igreja tem grande poder, nomeadamente através do patriarca de Jerusalém. Existiam mesmo legados pontifícios representando o Papa.
Ao serviço dos peregrinos encontravam-se os hospitalários, que lhes facultavam socorro material, e os templários, que os protegiam em rotas perigosas. Tinham carácter militar e eram potências políticas; além disso, eram autónomos em relação ao clero secular.
Os mercadores italianos (e as suas cidades de origem na Itália) dominavam cidades portuárias e rotas de comércio com o interior (especiarias, sedas, algodão...), assegurando ainda o frete de navios de peregrinos. Acre, até 1291, será um desses entrepostos italianos no Levante.
Os Estados do Levante tiveram grande influência na elaboração de textos legais dos bizantinos, para além de servirem de ponte entre autores orientais (em áreas como o pensamento e as belas-artes) e a Europa cristã.
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