estrutura das montanhas

Ao longo da história da Terra verificam-se várias orogenias ou ciclos orogénicos. Nos últimos 600 milhões de anos são, fundamentalmente, de referir três: caledónica e hercínica na Era Primária e alpina nas Eras Secundária e Terciária.
As direções dominantes destas orogenias são este-oeste (direção mediterrânica) e norte-sul (direção pacífica), repetindo-se com assiduidade em épocas e localizações geográficas diversas, como se correspondessem a zonas de especial debilidade da crosta terrestre.
A mesma cadeia montanhosa pode ter sido afetada por orogenias sucessivas, com direções coincidentes ou cruzadas. É muito frequente o rejuvenescimento de cadeias montanhosas de uma determinada época por ciclos posteriores. Na Península Ibérica, por exemplo, os Pirenéus e a cordilheira cantábrica enrugaram-se na orogenia hercínica, tendo sido posteriormente, arrasados e, na orogenia alpina foram novamente deformados em parte e, sobretudo, elevados em altura. O comportamento tectónico diferencia uma cadeia montanhosa em diferentes unidades:
base ou soco, constituído por rochas rígidas e cratonizadas do fundo da formação que pode corresponder a materiais de orogenias anteriores;
infraestrutura, constituída pelo conjunto das rochas metamórficas e graníticas profundas;
supra estrutura, constituída por materiais sedimentares não transformados. Denomina-se cobertura se se apoia, nas margens da cordilheira montanhosa, diretamente sobre a base ou soco e é de pequena espessura.
Esta estruturação das montanhas ocasiona diferenças específicas no comportamento de cada unidade durante a atuação das forças orogénicas. Por isso, tendo em atenção a importância de cada uma das unidades da cordilheira montanhosa e dependendo do nível estrutural, tipo de materiais e intensidade das forças que atuaram, podem definir-se os chamados tipos tectónicos. Estes são caracterizados pelo tipos de estrutura que aparecem numa região e se repetem, com certa conformidade, nas diferentes cadeias montanhosas.
A terminologia é a da montanha onde a orogenia se diferenciou.
Assim o tipo alpino é característico das montanhas, com grande espessura da supraestrutura onde abundam rochas metamórficas e graníticas de profundidade e onde a intensidade de deformação foi máxima. A característica da estrutura resultante é a existência de descontinuidade entre a supraestrutura e a infraestrutura em benefício de níveis plásticos.
O tipo jurássico caracteriza-se por uma cobertura espessa sobre a base. Aparecem rugas regulares, concêntricas e simétricas ou isoclinais, por vezes inclinadas. Estas estão normalmente associadas a um sistema de falhas normais ou verticais com a mesma direção que as pregas. O nome deste tipo tectónico deriva das montanhas do Jura (Alemanha). A cordilheira ibérica é um bom exemplo deste tipo tectónico.
O tipo saxónico caracteriza-se por uma cobertura de pequena espessura sobre a base ou socos.
Este fratura-se e a cobertura é deformada, adaptando-se às falhas. São frequentes as dobras encaixadas e os diápiros salinos. É um tipo tectónico característico das montanhas saxónicas (Alemanha).
O tipo tectónico germânico caracteriza-se pelo domínio de solos preexistentes que se fraturaram, devido a forças orogénicas, em grandes blocos, originando, por isso, fossas e maciços tectónicos. Se se formar uma cobertura muito pouco espessa, podem formar-se rugas do tipo monoclinal. São exemplos deste tipo tectónico os maciços centro-europeus como a Floresta Negra, os Vosgos e a cordilheira central e fossas do Ebro e do Guadalquivir na Península Ibérica.
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