eufemismo

Figura de retórica que tem como objetivo atenuar, suavizar ou modalizar o impacto desagradável, indelicado, repugnante ou pesaroso que um enunciado pode ter no leitor ou destinatário. Os eufemismos radicam muitas vezes em tabus religiosos, morais, sexuais ou em convenções sociais e princípios de delicadeza que regem as relações interpessoais, tendo-se convencionado por isso o uso de certas expressões mais suaves para designar realidades mais chocantes. Como figura de estilo, o eufemismo mantém o seu propósito modalizador, servindo-se de recursos linguísticos como a perífrase, a metáfora, a personificação ou até sinónimos mais evocativos, de sentido mais indireto e mais poético. Eufemismos para a morte constituem exemplos muito produtivos na literatura portuguesa:

"Quando chegado ao fim de sua idade
O forte e famoso Húngaro estremado, Forçado da fatal necessidade,
O sprito deu a Quem lho tinha dado"
(Camões, Os Lusíadas, III, 28)

"Tirar Inês ao mundo determina"
(Camões, Os Lusíadas, III, 123)

"Algum dali tomou perpétuo sono"
(Camões, Os Lusíadas, VI, 65)
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