eugenia

A eugenia surgiu como um movimento social nos fins do século XIX e princípios do século XX e teve na sua origem na obra de Francis Galton, Hereditary Genius, O Génio Hereditário. Francis Galton defendia que tanto os indivíduos como os grupos ou as etnias herdavam de forma diferente a habilidade mental. O mesmo acontecia com as características físicas que eram distribuídas pelos membros de uma sociedade consoante a sua herança genética. Os filhos de pessoas inteligentes e fisicamente dotadas tendiam a ser também intelectualmente dotados e belos. Francis Galton fundou com dinheiro próprio uma sociedade de pesquisa e um laboratório para o estudo da eugenia, situado na University College, em Londres. A Sociedade de Educação Eugénica, fundada em 1908, inspirou muitas outras sociedades similares que se espalharam por outros países.
Tomando como ponto de partida a teoria da evolução de Darwin em que uma raça é um conjunto de seres humanos com uma ascendência comum, a eugenia sustenta que uma raça que consegue transmitir por descendência um maior número de características comuns de certa qualidade é a que será mais bem sucedida em fazer perpetuar a sua herança. As sucessivas gerações dos seus descendentes terão mais possibilidades de sobreviver e dominar as restantes raças. Uma corrente dentro da eugenia defendia que os seres humanos se diferenciavam dos restantes seres pelo facto de terem a capacidade e a possibilidade de gerirem e alterarem o curso da sua evolução. Na prática, este tipo de teorias poderia levar a que os governos criassem leis de eugenia negativa que impedissem certas pessoas "não adaptadas", como deficientes e certos doentes hereditários, de terem filhos, ou de eugenia positiva, encorajando as pessoas com melhores qualidades a terem filhos.
O movimento da eugenia acabou por levar à legislação do Ato de Deficiência Mental, em 1913, na Grã-Bretanha, a favor da segregação institucional dos deficientes, mas depressa sofreu uma grande oposição social e acabou por se extinguir. No entanto, em meados do mesmo século, esta teoria foi absorvida pelo III Reich e traduzida nas políticas cruéis de limpeza étnica que levaram à morte de milhões de pessoas, entre as quais muitos deficientes alemães. Atualmente, existe certo tipo de medidas eugénicas, embora não usem este nome, que possibilitam que as pessoas possam prever e evitar que os seus filhos recebam certas doenças hereditárias.

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