evolução das aves

As aves são um grupo taxonómico constituído por cerca de 9000 espécies, encontrando-se distribuídas por todo o mundo e por variadíssimos biomas: florestas, desertos, montanhas, pradarias e oceanos. A característica mais distintiva das aves relativamente a todos os outros animais são as penas, diretamente relacionadas com a endotermia - absorção e conservação do calor - e o voo.
Os fatores relativos à evolução das penas não são claros. Uma teoria admite que escamas móveis e semelhantes a penas apareceram antes da homeotermia e não estavam relacionadas em princípio com o voo. Formavam uma camada isoladora que começou a impedir a perda de calor gerado internamente pelo corpo. O planar deve ter precedido o voo e os predecessores das aves podem ter planado a partir de zonas altas ou quando corriam com grande velocidade. As vantagens seletivas proporcionadas pela maior velocidade e pela penetração do nicho aéreo, pouco ocupado podem ter determinado o curso da evolução das aves.
Aproximadamente há 150 milhões de anos, um animal voador afogou-se numa laguna marinha no local em que agora é a Baviera, na Alemanha. Foi rapidamente coberto por um sedimento fino e fossilizou. Foi descoberto em 1861 por um trabalhador de uma pedreira. O fóssil era aproximadamente do tamanho de um pombo grande com uma cabeça pequena, mandíbulas alargadas, com dentes mas sem cobertura córnea, asas com grandes penas e três dedos com unhas. A cauda tinha 21 vértebras com um par de penas laterais em cada segmento. O corpo estava coberto de penas e havia um colar de penas na base do pescoço que era nu como a cabeça. O esqueleto era decididamente de réptil e o fóssil foi denominado Archaepteryx lithografica. Os zoólogos reconheceram a similaridade das características entre aves e répteis. As aves devem ter herdado dos répteis características, como a redução de peso, que contribuíram para o seu êxito como animais voadores. Os ovos desenvolvem-se fora do corpo e as excreções azotadas da urina são excretadas sem o problema de uma abundante urina aquosa. As posteriores reduções de peso adquiriram-se pela perda da bexiga urinária e pela diminuição do peso do esqueleto. O voo requer um corpo compacto, rígido e aerodinâmico que as aves conseguiram com a perda, fusão e reforço dos ossos. No esqueleto das aves ocorreram numerosas alterações para tornar menos pesadas a massa corporal. As patas estão situadas por baixo do corpo e podem retrair-se entre as penas do ventre.
Todo o animal voador necessita de visão aguda e uma acomodação rápida, e a visão é um sentido fundamental das aves. A químio-recepção, importante nos vertebrados inferiores, decaiu incluindo os órgãos de Jacobson.
Em virtude da impressão causada por estas e muitas outras afinidades fisiológicas e anatómicas entre répteis e aves o grande zoólogo inglês Thomas Henry Huxley denominou as Aves como "répteis glorificados" e classificou-as no mesmo grupo dos dinossauros denominados Terópodes, que apresentavam muitas características semelhantes às das aves, uma das quais o pescoço longo, móvel e em forma de S.
Os restos fósseis das aves são mais raros do que o dos outros vertebrados terrestres devido ao seu esqueleto ser mais frágil, sendo de mais difícil conservação. As aves derivam dos répteis, provavelmente dos terodontes bípedes primitivos, que também são os antepassados dos dinossauros.
No Cretácico viveram aves com dentes, do género Hesperomis, de aproximadamente 1,5m de comprimento, aquáticas e que não podiam voar. A partir do Terciário (Eoceno), as aves não apresentam dentes e tornam-se semelhantes às atuais em estrutura e aspeto. A ave do género Diatryma do Eoceno era terrestre, tinha 2m de altura e um bico muito grande, mas só rudimentos de asas. Uma ave gigante do Mioceno do género Ostendortornis tinha uma envergadura total de 4,5 m. O pássaro mais antigo conhecido da ordem dos passeriformes é do Eoceno.
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