Évora

Aspetos Geográficos
Cidade do Alto Alentejo, é sede de concelho e do distrito. É considerada a "cidade-museu" de Portugal.
O concelho de Évora ocupa uma área de 1306,3 km2. Localiza-se no Alentejo (NUT II) e no Alentejo Central (NUT III) e abrange 19 freguesias: Nossa Senhora da Boa Fé, Nossa Senhora da Graça do Divor, Nossa Senhora de Machede, Nossa Senhora da Torega, Santo Antão, São Bento do Mato, São Mamede, São Manços, São Miguel de Machede, São Vicente do Pigeiro, Torre dos Coelheiros, São Sebastião da Giesteira, Canaviais, Nossa Senhora de Guadalupe, Malagueira, Horta das Figueiras, Senhora da Saúde, Bacelo, Sé e São Pedro. O concelho apresentava, em 2005, um total de 55 607 habitantes.
O natural ou habitante de Évora denomina-se eborense.
O concelho encontra-se limitado a norte pelo concelho de Arraiolos, a este por Redondo, a sul por Portel e Viana do Alentejo, a oeste por Montemor-o-Novo, a nordeste por Estremoz e a sudoeste também por Viana do Alentejo.
O distrito de Évora compreende 14 concelhos: Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Viana do Alentejo e Vila Viçosa.
Possui um clima de influência marcadamente mediterrânica, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de outubro e março e os 170 mm no semestre mais seco, sendo bastante irregular.
A sua morfologia é caracterizada pela existência de planícies com algumas elevações, como, por exemplo, a de São Sebastião (441 m), a do Paço de Saraiva (282 m), a da Barroqueira (255 m) e a da Capela (262 m). Como recursos hídricos, são de referir os rios Degebe e Xarrama, as ribeiras de Souseis, Monteiras e dos Quartos, e a albufeira de Torres.

História e Monumentos
Évora tem fundação pré-romana mas foi durante o domínio romano que as suas terras se tornaram importantes. Évora era designada pelos Romanos, no tempo do imperador Júlio César, de Liberalitas Júlia. Em 1165, e após disputas sucessivas por mouros e cristãos, foi conquistada aos mouros pelo exército do rei D. Afonso Henriques, comandado por Geraldo (ou Giraldo) Sem Pavor. D. Afonso Henriques mandou desde logo aí instalar a sede da Ordem Militar de São Bento de Calatrava e outorgou-lhe foral. Em 1384, assistiu à aclamação do rei D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, ainda durante a regência de D. Leonor Teles, viúva do rei D. Fernando. Em 1637, durante a Guerra da Restauração, a cidade dedicou-se à causa da liberdade aquando das lutas da Patuleia. Em 1559, foi fundada a sua universidade pelo cardeal D. Henrique.
O património histórico e monumental é imenso e variado, destacando-se, desde logo, o facto de o centro histórico de Évora ter sido classificado pela UNESCO como Património Mundial, em 1986. Em 1979, devido à sua importância, o Plano Diretor Municipal deu o primeiro passo na implementação de medidas de proteção e manutenção do património. A partir de 1981, pôs-se em prática o Plano de Recuperação do Centro Histórico e, em 1983, foi criado um gabinete próprio para tratar de assuntos de planeamento e gestão.
A anta do Barrocal é um monumento digno de referência, sendo considerado monumento nacional. Tem uma dimensão de 3 metros de diâmetro por 2 metros de altura e encontra-se em razoável estado de conservação, mantendo ainda parte da câmara poligonal e a laje de cobertura. A anta grande do Zambujeiro de Valverde está também classificada como monumento nacional e é a maior anta conhecida na Península Ibérica. O conjunto tem 50 metros de diâmetro, compreendendo a câmara poligonal, com 6 metros de altura e um longo corredor para o exterior. Destaca-se ainda o cromeleque e menir dos Almendres, um conjunto de menires constituído por 95 monólitos, dispostos em dois círculos concêntricos. Alguns menires apresentam insculturas esquemáticas e geométricas. Um pouco afastado do conjunto, encontra-se um menir com cerca de 4 metros de altura. Segundo estudos recentes muitos dos monólitos encontram-se na sua posição original, datando o conjunto do período entre o Neolítico (4000 a. C.) e o Calcolítico (2500 a. C.).
A Sé de Évora é uma igreja-fortaleza, considerada um dos melhores exemplos do estilo de transição românico-gótico (séculos XII-XIII). Embora a planta seja de estilo românico, a estrutura e a decoração são góticas. A fachada é marcada por duas torres quadradas assimétricas e pelo portal, onde se pode observar um apostolado do século XIV de grande qualidade. Numa das torres está instalado o Museu do Tesouro da Sé, com valiosas peças de arte sacra. No interior, a capela-mor é uma reconstrução da época barroca. Nela pode ver-se um órgão quinhentista, o mais antigo ainda em atividade em Portugal.
O templo romano de Évora data do século I e, segundo alguns autores, é dedicado ao culto do imperador. Após estudos arqueológicos, foram encontrados vestígios de um pórtico e de um espelho de água. Foi convertido em torreão na Idade Média e, posteriormente, em matadouro, sendo restaurado no século XIX.
São de relevar as muralhas de Évora – cerca romana e árabe, ou Cerca Velha, que engloba a muralha da Praça de Sertório, a de São Bento, a do Palácio dos Condes de Basto e a do Passeio do Conde Schomberg, bem como as torres da Porta da Moura, das Cinco Quinas, das Alcárcovas e o Arco de D. Isabel.
A Universidade de Évora foi fundada, em 1559, pelo cardeal D. Henrique. Foi instituída por bula do Papa Paulo IV e dirigida, durante dois séculos, pela Companhia de Jesus. Juntamente com a Universidade de Coimbra, foi responsável pela formação das elites sociais e culturais portuguesas dos séculos XVI a XVIII. Duzentos anos após a sua fundação, foi encerrada na sequência das perseguições do Marquês de Pombal aos Jesuítas. As aulas recomeçaram em 1975. Em 2004, a Universidade de Évora era constituída por áreas departamentais onde se ministravam cerca de 38 licenciaturas.
Como personalidades naturais do concelho, destacam-se Duarte Galvão (1445-1517), cronista, André Falcão de Resende (1527-1599), um conhecido poeta, e J. Magalhães Coutinho (1815-1895), médico responsável pela primeira maternidade em Lisboa.
Como instalação cultural, destaca-se o Museu Municipal de Évora, situado no paço episcopal, um edifício do século XVII. Este museu exibe importantes coleções de joalharia e ourivesaria (séculos XVI e XVII) e pinturas das escolas portuguesa e flamenga do século XVI. Da coleção de esculturas ressalta parte de uma vestal em mármore, uma "Nossa Senhora da Anunciação" em mármore do século XIV e uma Santíssima Trindade do século XVI.

Tradições, Lendas e Curiosidades
São muitas e diversas as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar a FEPRAN (Feira dos Produtos da Região do Alentejo), no mês de outubro; a festa de São Brás, a 3 de fevereiro; a festa de Nossa Senhora das Candeias, a 2 e 3 de fevereiro; a feira e festa de S. João, no mês de junho; a Feira de Ramos, na sexta e no sábado anteriores à Semana Santa; e a Feira Nova, a 12 e 13 de outubro.
O feriado municipal é dia 29 de junho.
A nível de artesanato merecem destaque os trabalhos em barro, chifre, cortiça, couro, pele e buinho, o mobiliário rústico pintado e os brinquedos em madeira.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, que ocupa cerca de 2/3 da população ativa na área administrativa (pequeno comércio, artesanato e turismo), seguindo-se o secundário, com as indústrias alimentar e extrativa (madeira, cortiça e mármore) e só depois o primário.
No que se refere à agricultura, destacam-se os cultivos de cereais, prados temporários e culturas forrageiras, culturas industriais, pousio, olival, prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também relativa importância, nomeadamente a criação de aves, ovinos e bovinos.
Quase 33% (5836 ha) do seu território encontra-se coberto de floresta. As principais espécies arbóreas são a oliveira, a azinheira e o sobreiro.
Como referenciar: Évora in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-15 13:48:26]. Disponível na Internet: