Expansão Japonesa no Nordeste da Ásia

O triunfo do Japão na guerra com a China (1894-1895) anunciava o surgimento de uma grande potência no Oriente. No início dessa década o Japão iniciara um processo de modernização, revendo a sua legislação criminal, civil e comercial de acordo com os modelos ocidentais. Seguidamente, diversas ações diplomáticas, particularmente visíveis entre 1894 e 1899, libertam o império nipónico da influência externa e lançam-no numa fase de verdadeiro expansionismo. A tentativa de domínio da Coreia leva o Japão a um conflito com a Rússia, também interessada em afirmar-se no Nordeste asiático. Os dois países assinam um tratado tendo em vista a independência da Coreia (1898) mas sancionando a primazia comercial japonesa nessa região. Porém, o problema não ficou satisfatoriamente resolvido. Em 1900, após a Revolta Boxer na China, a Rússia ocupou a Manchúria e começou a penetrar no Norte da Coreia. Em 1904, depois de repetidos falhanços da diplomacia para solucionar a questão, o Japão abandonou a mesa das negociações e atacou a base russa de Port Arthur (atualmente o porte de Liuda), no Sul da Manchúria, iniciando-se a Guerra Russo-Japonesa. Em menos de 18 meses, o moderno exército japonês alcançou a vitória nesse conflito. O tratado de paz, mediado pelo presidente americano Theodore Roosevelt, foi assinado em Portsmouth, New Hampshire (EUA), a 5 de setembro de 1905. Por ele, o Japão conseguiu importantes ganhos territoriais, como a Península de Liaodong, entre outros. Mais importante ainda, a Rússia reconheceu os superiores interesses japoneses na Coreia, a qual foi rapidamente subjugada pela hegemonia nipónica. Cinco anos depois (1910) foi formalmente anexada pelo Japão e passou a chamar-se Chosen. Com os Estados Unidos, as relações foram dificultadas pelas políticas restritivas americanas relativamente à emigração japonesa. Em 1906, o embaixador japonês em Washington formalizou protestos contra o tratamento dado aos seus compatriotas na América (menores salários, mais horas de trabalho, políticas discriminatórias, etc.). Após negociações, os dois países chegaram a um acordo segundo o qual o Governo de Tóquio restringia a emigração e os americanos abandonavam a legislação antijaponesa; contudo, o problema nunca foi totalmente resolvido e no Japão era evidente um sentimento antiamericano que viria a crescer nas décadas subsequentes.
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