Expansão Ming na China do Século XV

Escavações recentes vieram confirmar as grandes expedições marítimas levadas a cabo, no início do século XV, pelos Ming da China. Entre 1404 e 1433, pelo menos seis expedições partiram da China rumo ao Sudeste asiático e para a Índia e Arábia. Também duas grandes expedições navais chinesas, no início do século XV, atingiram a costa oriental de África.
Apesar de estas viagens ou expedições terem sido realizadas, sobretudo, por razões políticas e diplomáticas, elas tiveram uma vertente comercial, o que denota o esplendor dos Ming, já que as cartas de marear e mapas desenvolvidos durante estas viagens permitiram a abertura das rotas comerciais marítimas e o estabelecimento de redes, desde a costa chinesa à costa de África. Os juncos chineses eram vistos por todo o Mundo.
Apesar da porcelana chinesa da época ter sido encontrada na costa oriental de África, muita dela data do século XIV e mais tarde, quando se desenvolveu um comércio florescente. A porcelana chinesa foi encontrada ainda mais longe, no interior de África, no Grande Zimbabwe, assim como ao longo de toda a costa sul.
Depois de os espanhóis terem chegado a Manila, em 1560, nova rota comercial foi aberta pelo Pacífico com uma quantidade considerável de porcelana Ming a ser embarcada, via Acapulco, para a Europa.
Após o desvaste da população e da terra sob o domínio mongol, os imperadores Ming procederam a grandes reformas na agricultura, introduzindo em larga escala programas de irrigação, drenagem e reflorestação.
Como resultado, a população cresceu de cerca de 60 milhões, em 1350, para quase 200 milhões, por volta de 1550.
O sistema fiscal foi revisto, com vista a encorajar os pequenos proprietários, enquanto se desenvolveu um novo sistema burocrático para facilitar a administração provincial.
As obras públicas, em larga escala, como a construção de canais e a reconstrução da Grande Muralha, refletem a consolidação e estabilidade política.
A indústria, especialmente a da seda e a do algodão, assim como a cerâmica, desenvolveu-se e o comércio registou um "boom", vindo ao encontro do desafio de um mercado mundial, quando os comerciantes europeus começaram a aparecer no século XVII. Os principais produtos exportados pela China no século XV eram as lacas, a seda, o chá e as porcelanas.
De 1400 a 1600, Pequim, a principal capital do império Ming, era a maior e mais populosa cidade do Mundo.
Apesar de todas as expedições e da prosperidade vivida da corte Ming, a expansão marítima não durou muito.
A partir da segunda metade do século XV, e como as costas chinesas estavam sujeitas aos ataques dos japoneses ou dos piratas, a China voltou a fechar as suas portas ao exterior.
Nesta altura os europeus estabeleceram os primeiros contactos regulares por mar com as cidades chinesas costeiras - foi o caso dos primeiros navegadores portugueses, que chegaram à China em 1517, e dos holandeses, em 1601.
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