explicação teleológica
O objeto da explicação teleológica é a ação ou o comportamento intencional. É a explicação teleológica que dá conta da ação e da intenção: a explicação por intermédio das intenções ou das razões de agir é uma explicação teleológica. Isto significa duas coisas: por um lado, que não há explicação teleológica senão das ações ou dos comportamentos intencionais; por outro lado, não se pode pressupor que todo o comportamento tenha sido efetuado intencionalmente.
Von Wright, na sua obra Explanation and Understanding (1971), defende o modelo da explicação teleológica para as ações intencionais, e o modelo da explicação causal não nomológica para os acontecimentos históricos ou sociais. Para Von Wright, a explicação causal e a explicação teleológica não têm o mesmo objeto de explicação (explanandum) (o objeto da explicação teleológica é o comportamento intencional, o objeto da explicação causal é um movimento corporal ou um estado).
Deve-se, contudo, assinalar que o comportamento não pode ser teleologicamente explicado, se não for antes compreendido intencionalmente, na medida em que a compreensão precede a explicação. Ricœur diz que, na explicação teleológica, "descrever e explicar coincidem". A explicação teleológica redescreve o comportamento pelo fim ou pelo objetivo em vista do qual ele foi realizado, quer dizer, pela sua razão eficiente (aquela à luz da qual nós compreendemos o comportamento).
Como o motivo da ação é também a sua causa (segundo o aspeto da disposição a... o motivo é também uma causa), a explicação teleológica ou finalista é, segundo Ricœur, um tipo de explicação causal que convém ao carácter intencional da ação. Ela é, deste modo, a mais apropriada à compreensão e à interpretação correntes do comportamento intencional. Isto na medida em que o sentido atribuído ao comportamento advém do facto de ele estar orientado para fins ou objetivos, o que corresponde às formas correntes de descrever as ações, segundo a linguagem do em vista de..., a fim de..., com o objetivo de..., na disposição de..., etc. A explicação teleológica é, assim, a mais adequada à linguagem corrente do comportamento intencional, na medida em que, sendo uma explicação por motivos, intenções, objetivos, fins a atingir, sentimentos, desejos, disposições (desejar é estar disposto a...), é própria do discurso corrente.
Tendo em conta que as perspetivas sociológicas consideram a motivação ligada à normatividade social, a explicação teleológica está de algum modo ligada a um contexto sócio-histórico de instituições, de usos e costumes, de regras.
-
explicação causalA explicação causal é uma das formas possíveis de explicação de um determinado fenómeno, que surge p...
-
escolásticaEste termo é vulgarmente aplicado apenas a um determinado período da cristandade (a escolástica lati
-
epistemologiaDo grego epistéme, ou seja, "ciência" ou "conhecimento", e logos, que significa "discurso". Epistemo
-
EscolásticaA Escolástica, enquanto forma de saber que une, num sistema exaustivo e racional, a verdade revelada
-
EraA Terra tem um passado e, em consequência, uma história em que sucedeu toda uma série de acontecimen
-
espaço (filosofia)O espaço remete-nos para uma problemática do ponto de vista filosófico: o de saber se o espaço é rea
-
endoculturaçãoProcesso que explica a transmissão e a aprendizagem de comportamentos dentro de uma mesma cultura (g
-
esoterismoDo grego eso, "dentro de", este termo existe por oposição a exoterismo (do grego exo, "fora de"), qu
-
entendimentoO entendimento é uma das duas fontes de conhecimento, juntamente com a sensibilidade. É a faculdade
-
espaço públicoO conceito de espaço público, próprio do discurso filosófico da modernidade, tornou-se um conceito o