Falange Macedónia

O exército macedónio foi uma criação pessoal de Filipe e a ele se deve a grandeza do império, pois com o seu auxílio aquele rei levou a cabo a unidade nacional, despojando os senhores feudais dos seus direitos quase reais, permitindo a tranquilidade interior dirigir os esforços da nação na conquista de terras estrangeiras.
Filipe acostumou as suas tropas a efetuar com armas e bagagens marchas de 300 estádios por dia (55 km), proibindo aos seus soldados e oficiais o uso de veículos. Este rigor converteu as antigas hordas indisciplinadas num exército-modelo de organização e de disciplina, capaz de levar o nome macedónio vitorioso às mais remotas regiões do Mundo de então. A Macedónia tinha proporcionado sempre uma excelente cavalaria, mas, segundo Tucídides, numa expedição importante contra os Lincestes, Perdicas não conseguiu reunir mais do que mil hoplitas. Arquelau criou uma infantaria, mas a sua época de esplendor durou pouco tempo. Ao referir-se à guerra de Olynta, Xenofonte apenas fala da cavalaria macedónica. Filipe criou a falange que, se no seu essencial se inspirou no sistema militar de Epaminondas, foi transformada, adotando reformas de Ipicrato. A falange apresentava uma massa compacta de homens, de 16 filas de fundo, munidos de fortes armaduras defensivas; o falangeta estava munido das mesmas armas defensivas que o hoplita grego, tendo-se, sem dúvida, substituído o antigo escudo pela pelta, que deixava as mãos livres do soldado para empunhar a sarisa, uma longa lança de 5,5 metros que, com o tempo, se converteu na arma nacional. Quando a falange entrava em batalha, as lanças das cinco primeiras filas protegiam a frente. Se a força ofensiva da falange macedónia era de um valor indubitável, o seu peso e coesão tornavam-na incapaz de responder a um ataque pela retaguarda ou pelos flancos, motivo pelo qual Filipe a dotou de um corpo de peltastas, cujo efetivo de 8 mil homens era igual à metade do que tinha a falange. Esta infantaria ligeira marchava na vanguarda e estava encarregada de escalar colinas, apoderar-se das trincheiras inimigas e flanquear a falange; os soldados que a formavam era conhecidos pelo nome de hipapistas.
Nas batalhas o rei marchava à frente da cavalaria, rodeado por uma secção de ginetes, que constituía a sua guarda de honra e que incluíam os filhos dos nobres, que, entrando como pagens ao serviço do monarca, chegavam, se mostrassem apetência para tal, aos primeiros postos do exército.
Geralmente, para combater, a falange dividia-se em duas partes ou alas, ou em três, centro e alas. As diversas secções estavam separadas por intervalos, para permitir espaço livre aos soldados ligeiros que avançavam ou retrocediam.
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