Fastigímia, Fastigínia ou Fastos Geniais Tirados da Tumba de Merlim

Diário de uma estadia de Tomé Pinheiro da Veiga em Valhadolid, esta obra nasceu do deslumbramento do autor ante a alegria estrangeira, um género de vida aberto e franco, airoso e ligeiro. O escrito encontra-o nos diálogos de rua, com piropos fulgurantes, nas festas e passeios esmaltados de mulheres famosas pela beleza e desenvoltura, no deleite dos espetáculos brilhantes, enfim, num gosto constante de viver e conviver que descreve nesta obra. A esta alegria castelhana contrasta Tomé Pinheiro da Veiga "a tirania que em Portugal se usa com as filhas e com as mulheres" e "a melancolia e nublado português" que ilustra na frase: "Os portugueses, noitibós tristes, os castelhanos, pintassilgos alegres".Além do interesse teorizante do convite a este estado de espírito castelhano, o livro revela, no colorido do estilo, na atenção e minúcia com que descreve o quotidiano, nas anedotas brejeiras e nos diálogos bem reproduzidos, um notável temperamento de observador alegre, que insinua humoristicamente uma visão crítica da corte de Filipe II (III de Espanha), do rei, do duque de Lerma e de outras personagens. Fastigímia exibe assim uma intenção moralizante ilustrada nas críticas à sujeição feminina, ao estilo teatral do culto religioso à falta de limpeza e outros temas que versa ora com erudição, ora com coloquialidade, mas sempre com muita vivacidade e sentido de humor.
Como referenciar: Fastigímia, Fastigínia ou Fastos Geniais Tirados da Tumba de Merlim in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-15 10:03:26]. Disponível na Internet: