Fernando Tordo

Fernando Tordo nasceu em Lisboa, a 29 de março de 1948. Os primeiros passos no mundo da música levaram-no a participar no grupo pop Deltons, com apenas 18 anos. O estilo da banda enquadrava-se no espírito reinante da época, em que a sonoridade dos Beatles era a influência principal de diversos projetos musicais, de entre os quais os Sheiks, que Tordo veio a integrar em 1967, substituindo Carlos Mendes. Ainda nos Sheiks, Fernando Tordo estreou-se no Festival RTP da Canção, em 1968, sem grande sucesso. No ano seguinte, já a solo, apresentou a concurso o tema "Cantiga", que seria o tema título do seu primeiro EP. Continuou a participar nas edições seguintes do Festival, recebeu o Prémio Compositor da Casa da Imprensa (1970) e, em 1971, atingiu o 3.º lugar com a canção "Cavalo à Solta", tema que seria integrado no seu primeiro longa duração (LP), editado em 1972. Este álbum é o primeiro que produz em estreita colaboração com Ary dos Santos.
A sua insistência no Festival da RTP acabou por ser premiada com a primeira vitória, no ano de 1973, com "Tourada", uma crítica aberta ao regime, com a ironia mordaz de Ary dos Santos na letra. Apesar da polémica, Fernando Tordo representou Portugal no Festival da Eurovisão desse ano. Em 1974, estreou-se no teatro, com Ivone Silva, Tonicha e Herman José, entre outros, na peça "Uma no Cravo, outra na Ditadura" de César Oliveira e Ary dos Santos, para a qual gravou o tema "O Emprego". Depois do 25 de abril, Fernando Tordo não escondeu a sua militância no Partido Comunista Português e participou na Festa do Avante de 1976. Nesse ano, voltou a vencer o Festival RTP, ao lado de Paulo Carvalho, Luísa Basto, Ana Bola, Edmundo Silva e Fernando Piçarra, no grupo Os Amigos e com a canção "Portugal no Coração". O regresso aos registos discográficos aconteceu ainda no decorrer de 1976. Com Paulo Carvalho, gravou o álbum Estamos Vivos. Dois anos volvidos, juntou-se-lhes Carlos Mendes e os três fazem uma retrospetiva da carreira dos Sheiks, 10 anos depois da separação da banda. O disco chama-se Dez Anos de Cantigas. Em 1980, editou o último trabalho em colaboração com Ary dos Santos, intitulado Cantigas Cruzadas. Este álbum assinalou o fim de uma ligação com 14 anos. A partir daqui, Fernando Tordo assinou, para além das músicas, as letras dos seus trabalhos.
Adeus Tristeza (1983) é o primeiro disco com letras de Tordo e também um dos de maior sucesso da sua carreira, elevando a popularidade do autor a níveis não atingidos antes. Ainda durante esse ano, mudou-se para os Açores, para a casa do seu amigo Decq Mota. A estadia no arquipélago trouxe-lhe a oportunidade de conhecer o maestro de Jacques Brel, François Rauber, com quem viria a colaborar nos dois trabalhos seguintes, Anticiclone (1984) e Ilha de Canto (1986), ambos apresentados ao vivo na Aula Magna, em Lisboa. No ano de 1988, editou, com José Calvário, um disco de homenagem póstuma a Ary dos Santos, falecido quatro anos antes.
O regresso aos palcos aconteceu em 1989, de novo na companhia de Paulo Carvalho e Carlos Mendes, numa tournée de espetáculos de grande sucesso, que deu título à edição em disco de Só Nós Três. Seguiu-se um período de afastamento, até novo retorno às atuações ao vivo, dando suporte a duas edições discográficas gravadas com o apoio da Youth National Jazz Orchestra, de Londres. Assim, as gravações de Só Ficou o Amor por Ti (1994) e Lisboa de Feira(1995) estabeleceram uma aproximação à sonoridade jazz, sem renunciarem às raízes da composição popular ligeira do autor. Após outro interregno prolongado, Fernando Tordo voltou ao estúdio, gravou novo trabalho, ainda mais virado para o público jazz e batizou-o recorrendo a um aforismo de Galileu que bem pode caracterizar a carreira do autor, marcada pela constante revitalização e pela consistência : E no Entanto Ela Move-se (2002).
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