Fernão Correia de Lacerda

Fernão Correia de Lacerda era filho de António Correia de Lacerda e de Maria Cabral, por sua vez filha de Simão Cardoso, feitor de Malaca. Nasceu no lugar do Tojal, em Viseu.
O seu penetrante engenho brilhou na Universidade de Coimbra, onde fez estudos de Jurisprudência Civil, sendo muito grandes os seus progressos. Tendo alcançado ilustre nome pelas letras e adquirido maior pelas armas, as Companhias de África foram testemunhas dos heroicos impulsos do seu braço.Apesar de não ter publicado a maior parte das suas obras, foi um autor célebre do seu tempo, tendo sido aplaudido nas câmaras dos príncipes e nos teatros de Espanha onde as suas composições eram repetidas ou recitadas. Destas conservava três tomos na sua biblioteca o ilustríssimo arcebispo de Lisboa D. Rodrigo da Cunha, como consta do seu Index, impresso no Porto em 1627.Deixou compostos dois poemas.O poema heroico Império Lusitano relata a história do herói D. Afonso Henriques, bem como a história do seu reino até ao tempo do autor. O segundo poema é lírico e chama-se Pastor de Guadalupe. Esta obra dá notícia daquele célebre santuário "com tão devota melodia, que podia servir de texto espiritual aos contemplativos", como em seu aplauso escreveu D. António Álvares da Cunha, numa carta a seu filho D. Fernão Correia de Lacerda, a qual será impressa no princípio da vida da rainha Santa Isabel.
Escreveu ainda Vinte Romances Castelhanos, dos quais o primeiro inicia "sentado junto de um olmo" com doze cartas jocosas que se conservaram na Biblioteca do cardeal de Sousa.
O Romance a Ardénio Enfermo de Amores saiu impresso no tomo cinco da Fénix Renascida.
Como referenciar: Fernão Correia de Lacerda in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-24 00:47:18]. Disponível na Internet: