Fernão de Oliveira

Gramático português, terá nascido por volta de 1507, em Aveiro. Estudou no Convento de São Domingos até 1522, ano em que entrou para a ordem, tendo depois sido transferido para Évora. Aqui foi discípulo de André de Resende a quem deverá a sua formação humanística. Em 1532, fugiu para Castela, onde se tornou clérigo secular. Em 1536, regressou a Lisboa e, dedicando-se ao ensino, foi mestre dos filhos de João de Barros, dos barões do Alvito e de D. Fernando de Almada. Ainda em 1536, publicou a primeira gramática em língua portuguesa, que terá resultado da atividade de mestre em Lisboa. Com esta gramática integrou-se no grupo dos gramáticos do Renascimento que se dedicaram à descrição das suas línguas maternas.
Por volta de 1540, partiu em direção a Itália, mas não terá passado do sul de França.
Três anos depois regressou de novo a Lisboa. Em 1544 ou 1545, ofereceu-se para piloto de uma das galés da armada francesa do Barão de La Garde, que aportou em Lisboa antes de partir em direção à Inglaterra para combater o reinado de Henrique VIII. Fernão de Oliveira, usando o nome Martinho, tornou-se piloto da armada francesa, ao serviço da qual foi preso pelos ingleses em 1546. Esteve um ano em Inglaterra onde se tornou próximo das ideias do herético rei Henrique VIII. Por isso, quando regressou a Lisboa em 1547, respondeu perante o Tribunal da Inquisição e foi preso, mantendo-se no cárcere por um ano. Em 1548, reconheceu os seus atos de heresia e foi encerrado no Mosteiro dos Jerónimos, de onde só saiu em 1551, mas obrigado a manter-se em Portugal. Nesse mesmo ano, com os conhecimentos náuticos adquiridos ao serviço da armada francesa, publicou A Arte da Guerra do Mar, única das muitas obras que escreveu a ser publicada.
No verão de 1552, partiu numa expedição contra Maley Mamed em auxílio do Rei de Velez, mas acabou por ser detido e levado para Ceuta, antiga praça portuguesa. Serviu de emissário para negociar o resgate dos seus companheiros com o então governador D. Pedro de Menezes, no que foi bem sucedido. Regressou a Lisboa e daí partiu para a Beira Alta onde, em 1554, foi de novo preso por denúncia de atentado contra a moral cristã. Ainda foi revisor de Imprensa da Universidade de Coimbra, onde também lecionou retórica.
Em 1556, regressou a França, deixando de haver registo de mais atividades suas, embora se suponha que tenha morrido por volta de 1581.
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