Fiama Hasse Pais Brandão

Dramaturga, tradutora e poetisa, nasceu a 15 de agosto de 1938, em Lisboa, e faleceu a 19 de janeiro de 2007, na mesma cidade. Frequentou o colégio St. Julian's School, em Carcavelos, e, mais tarde, o curso de Filologia Germânica da Universidade de Lisboa. Fez crítica de teatro, estagiou no Teatro Experimental do Porto (1964), e foi, com Gastão Cruz - com quem se casaria - e outros, fundadora do grupo Teatro Hoje (1974). Ao longo da sua vida, exerceu atividade de investigação na área da linguística assim como pesquisa histórica e literária sobre o século XVI em Portugal. Traduziu vários autores como Bertolt Brecht, Antonin Artaud, Novalis e Anton Chekhov e colaborou em revistas literárias, como Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia e Vértice, entre outras.
Revelou-se com "Morfismos", no âmbito da iniciativa Poesia 61, coletânea que refletia uma tendência poética atenta à palavra, à linguagem na sua opacidade, na busca de uma expressão depurada e não discursiva. A criação poética de Fiama Hasse Pais Brandão impõe-se pela busca de uma expressão original, onde as palavras tentam evocar uma essência perdida, anterior à erosão do tempo e do uso corrente. A desconstrução das articulações do discurso e a sua metaforização provocam um estranhamento que conduz o leitor a despir a linguagem da sua convencionalidade e a entrever o acesso pela palavra pura a um tempo primordial. O critério de "amor pela leitura" que presidiu à versão de Cântico Maior pode, por extensão, ser aplicado à obra da autora que apresenta como fontes de emoção poética "o texto que cabe na pupila: o simultâneo, a grande cena das metáforas e das comparações, a Visão multiforme do Conhecimento (pus no coração a Sabedoria de Ezra), que é parcelar nas palavras e nas imagens e que só por acumulação diurna e através da absorção pupilar (como a do ar) tende para o Todo." ("Do prefácio de Cântico Maior", reproduzido em "Apêndice" a Obra Breve, 1991).
Sob o Olhar de Medeia, a obra que marca a primeira incursão no romance por parte desta autora, foi publicado em 1998.
Fiama Pais Brandão recebeu várias distinções, entre as quais se destacam o Prémio Adolfo Casais Monteiro, 1957; o Prémio Revelação de Teatro, 1961; o Prémio Pen Clube Português de Poesia, 1985; o Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 1996; o Prémio D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus, 1996; e o Prémio Pen Clube Português de Ficção e o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, ambos em 2005.
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