Filinto Elísio

Filinto Elísio, pseudónimo do Padre Francisco Manuel do Nascimento, foi um dos mais importantes poetas do Neoclassicismo português. Oriundo de uma família humilde - o pai era fragateiro e a mãe era peixeira, naturais de Ílhavo -, estudou e recebeu ordens sacras graças à proteção de um embarcadiço de mais largos recursos económicos. Integrou-se, mais tarde, num pequeno círculo de comerciantes letrados, no qual se encontravam alguns franceses que, provavelmente, exerceram influência notável na sua formação iluminista e liberal. Por esta altura, participou da guerra dos poetas, inscrevendo-se no grupo da Ribeira das Naus, que se opôs à Arcádia Lusitana. Foi neste conflito que, sob o nome de Niceno, propugnou a imitação do bom modelo clássico e o exemplo dos Quinhentistas. No convento de Chelas, travou Francisco Manuel do Nascimento conhecimento com as duas filhas do Marquês de Alorna, tendo sido professor de latinidade de D. Leonor de Almeida, futura marquesa de Alorna, da qual recebeu o nome arcádico, e mestre de música de sua irmã, D. Maria de Almeida, a quem cortejou muito em verso. Apesar de ser clérigo, teve de fugir para França, exilando-se em Paris em 1778, pelo facto de ler livros racionalistas franceses proibidos pela Inquisição. Aí estabeleceu relações de amizade com o poeta Lamartine, que lhe dedicou um poema. À exceção de uma estadia de quatro anos em Haia, viveu o resto da vida neste país, compondo em prol da estética horaciana e dos problemas da longínqua pátria perante os rumos abertos pelas revoluções americana e francesa. A França era, para Filinto Elísio, a imagem da civilização e foi, sem dúvida, através do contacto com os primeiros românticos franceses que ele, para lá do neoclassicismo horaciano, chegou, por vezes, a exprimir-se numa linguagem de livre confessionalismo pré-romântico. Mas foi sobretudo na ideologia das luzes que este poeta mais vivamente mergulhou, servindo um classicismo arcádico que se harmonizava com a simbologia e os gostos neoclássicos da revolução.
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