filosofia da ciência
A filosofia da ciência é a disciplina filosófica que estuda criticamente os fundamentos da ciência em geral ou de uma das suas disciplinas em particular. É difícil afirmar, de maneira geral, quando surge com exatidão a filosofia da ciência, já que é uma disciplina que, embora de modo implícito, parece ter percorrido todo o caminho da própria filosofia desde o período grego, altura em que os filósofos foram frequentemente cientistas, quer dizer, estudiosos da natureza. Mas, restritamente, a filosofia da ciência parece ser bem recente, podendo ser situável a partir do kantismo.
Como é evidente, esta catalogação só pode ser entendida de modo provisório, pois que facilmente poderemos encontrar reflexões sobre a ciência, esparsas aqui e ali, ao longo da nossa história ocidental.
Se a ciência é aquela disciplina que procura, em primeiro lugar, explicar a natureza e o seu proceder e, em segundo lugar, manipular os conhecimentos derivados dessa explicação para obter determinados resultados; se a ciência é esta disciplina teórica e prática, subdivisível num crescente número de outras disciplinas particulares, a filosofia da ciência é aquela disciplina que se debruça sobre o problema do conhecimento adquirido por ela, sobretudo hoje que a verdade científica é tão provisória - a este aspeto se chama epistemologia.
Há ainda uma outra função da filosofia da ciência neste domínio e que diz respeito à busca de uma estrutura global que nos dê a explicação das leis do universo no seu todo. Esta tarefa parece gradualmente mais difícil, depois dos esforços do final o séc. XIX e início do séc. XX, pois surgiram tantas disciplinas novas, em áreas tão específicas que parece difícil, cada vez mais, a ambição de um Edgar Morin, por exemplo, ao pretender a sistematização unificante de todos os conhecimentos das diferentes ciências. A filosofia da ciência tem ainda como preocupação o estudo do método das ciências e suas virtualidades.
Resta-nos referir a posição de Leonardo Coimbra, o fundador da primeira Faculdade de Letras do Porto, um dos filósofos que melhor dominava os conhecimentos das ciências, mesmo a nível internacional, que afirmava que à filosofia cabia o papel de unificação dos saberes dessas ciências, já que cada saber específico tende a fechar-se em si próprio, podendo então a filosofia desempenhar aí uma função essencial, desde que não esteja subordinada e dependente da ciência.
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