Fortaleza de Sagres

O Promontório e Fortaleza de Sagres são erguidos no primeiro quartel do século XV e estão indissociavelmente ligados aos Descobrimentos e à figura do seu promotor, o Infante D. Henrique. A sua importância maior registou-se durante essa centúria e a seguinte, pois este espaço foi a base de operações marítimas da expansão náutica portuguesa.
Um período de decadência ocorreu após a perda da Independência, quando em 1587 os corsários ingleses comandados por Francis Drake a arrasaram e pilharam. Nessa altura, as muralhas eram compostas por duas cortinas defensivas e tinham uma configuração em "zigue-zague". Intramuros, estava a Ermida de N. Sra. da Graça, pequeno templo fundado por D. Henrique em 1459, mas que seria remodelado em 1570. Adossado à segunda muralha estava a casa do governador militar, para além das casernas; numa das extremidades situava-se uma torre de defesa. As primitivas defesas quatrocentistas foram reforçadas por dois baluartes construídos no reinado de D. Sebastião, mais tarde acrescentados por um revelim central, o que reforçava a defesa da porta principal da fortaleza. No entanto, a Fortaleza de Sagres passa por uma profunda e definitiva metamorfose nos finais do século XVIII (1793), empreendimento levado a cabo pelo engenheiro-militar José de Sande de Vasconcelos e que elimina todos os vestígios materiais das construções anteriores. No entanto, a nova configuração apresenta também dois baluartes nos flancos, unificados por protetor revelim central.
Ao longo dos tempos, os diversos edifícios no interior da fortificação sofreram diversas obras de readaptação. Nos restauros pretensamente históricos da década de 50 do século XX foi descoberta uma "rosa dos ventos", estrutura que poderá remontar ao século XV.
Sagres e a sua fortaleza foram alvo de nova intervenção nos anos 80, apenas finalizada em 1997 - empreitada que procurou valorizar a fortaleza e as suas estruturas arquitetónicas, mas que foi envolvida por forte controvérsia. Seja como for, apesar das polémicas alterações "neo-modernas", Sagres continua a assinalar a modernidade de Portugal e recordará sempre o início da abertura dos mares e da descoberta de novos mundos.
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