fósforo

O fósforo é um pequeno objeto, que se guarda em caixas ou carteiras, utilizado para acender um fogo em qualquer altura ou situação. Até ao início do século XIX, sempre que havia a necessidade de acender um fogo, era preciso ateá-lo friccionando duas pedras ou transportando-o de um outro local onde já estivesse em combustão. O fósforo é composto por três partes básicas: a cabeça, que inicia a combustão, uma mecha, que transmite a chama, e a pega. Há dois tipos de fósforos, os que acendem em toda a parte, só com o calor da fricção, e os seguros, que só ativam na lixa da caixa. O químico inglês John Walker inventou o fósforo em 1827, após ter descoberto que ao cobrir a ponta de um pequeno pau com certos produtos químicos, deixando-os secar posteriormente, poderia, ao pressioná-lo em qualquer superfície, provocar um fogo. Um pequeno acidente de laboratório, em 1826, tinha despertado a atenção de Walker. Depois de aplicar um composto de químicos combustíveis a um pau, sem querer raspou-o no chão junto à lareira e este ato deu origem a fogo. A 7 de abril de 1827, procedeu à primeira venda de fósforos, em que o pau era feito de pasta de papel enrolada, tendo sido um solicitador de Stockton-on-Tees o primeiro cliente. Walker não patenteou a invenção porque entendeu que o fósforo era um objeto benéfico para as pessoas em geral, daí que nunca tenha tirado dele grande lucro. Meses depois, em vez da pasta de papel enrolada, começou a utilizar pequenos paus, feitos por alunos e pobres da sua terra. As potencialidades do fósforo chegaram ao conhecimento do químico e físico Michael Faraday, que, sem sucesso, tentou convencer Walker a patentear a invenção. Faraday, entretanto, começou a divulgar as virtudes do fósforo através de artigos escritos, o que levou a que outros começassem a fazer diversas versões. Em 1830, Walker deixou de fazer negócio quando apareceu o Lucífer, lançado com muito sucesso no mercado por Samuel Jones, que aproveitou bem a invenção de Walker. Este, sem fazer fortuna, morreu em 1859, com 78 anos. Os Lucífer tornaram-se muito populares, especialmente entre os fumadores, mas pecaram por ter mau cheiro ao acender. Também em 1830, o químico francês Charles Sauria tentou a sua sorte no ramo e fez um fósforo com a cabeça branca e sem cheiro. No entanto, punha as pessoas doentes porque o fósforo branco era venenoso. Em 1855, o sueco Johan Edvard Lundstrom patenteou uns mais seguros, em que fósforo vermelho era aplicado na lixa fora da caixa e os restantes ingredientes na cabeça do pau, evitando assim uma eventual combustão espontânea. Mesmo assim, o fósforo branco continuou a ser popular por ser mais resistente às más condições climatéricas. De qualquer forma, no fim do século XIX os efeitos tóxicos do fósforo branco começaram a pronunciar-se nos operários fabris. Em poucos anos, passou a ser proibido. Em 1889, o norte-americano Joshua Pusey inventou a carteira de fósforos, mas passou os anos seguintes em tribunais a disputar a paternidade da patente com a empresa Diamond. Acabou por vencer o processo e, curiosamente, passou a trabalhar na empresa que era sua oponente. A Diamond, apesar de alguma concorrência, dominou claramente o mercado e a carteira de fósforos rapidamente ganhou fama mundial. Em 1895, surgiram, nos Estados Unidos da América, os primeiros anúncios comerciais nas lombadas das carteiras de fósforos, com a estreia a caber à Companhia de Ópera Mendelson. Durante cerca de 40 anos, as lombadas de caixas e carteiras de fósforos foram o meio mais utilizado para fazer publicidade a produtos, serviços e eventos. A fabricação do fósforo passou por algumas melhorias e, nos nossos dias, uma das pontas do pau é embebida num agente antifogo e a outra extremidade é protegida com parafina. A segurança é um fator determinante e o fósforo só acende quando friccionado na lixa na parte exterior da caixa. O fósforo, apesar de continuar a ser utilizado em grande escala em todo mundo, perdeu alguma da sua popularidade desde que surgiu o isqueiro.
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