FP 25 (Forças Populares 25 de abril)

Foi em 1980 que Portugal ficou a saber da existência das Forças Populares 25 de abril (FP 25 de abril, ou apenas FP 25), na sequência de um manifesto político lançado pela organização em 20 de abril daquele ano. Antes, a 28 de março desse ano, criava-se a Força de Unidade Popular (FUP). As FP 25 viriam mais tarde a ser consideradas como o braço armado daquela organização política de extrema-esquerda, descontente com aquilo que considerava serem os desvios ideológicos e programáticos em relação ao espírito da Revolução de abril de 1974.

Depois de algumas ações terroristas de intimidação e afirmação do movimento, como o atentado à bomba a de 3 de fevereiro de 1981 contra o Banco do Brasil, as FP 25 começam a sentir uma oposição concreta da esfera política portuguesa e a condenação da sociedade. Assim, em 28 de março de 1981, cerca de um ano depois da sua fundação, as FP 25 eram alvo de uma exigência política ao governo por parte do Partido Comunista Português (PCP) para que impusesse imediatamente medidas para se pôr fim às "atividades terroristas" da organização.
A 8 de junho, visando as FP e outras organizações clandestinas - de extrema-direita, também - a Assembleia da República aprovou uma lei anti-terrorista, por maioria. Todavia, as FP 25 não esmoreceram e aumentaram até o seu caudal de atividades, perpetrando um ataque à bomba em Felgueiras e reivindicando, em 28 de outubro de 1981, a autoria de um atentado contra um industrial têxtil do Norte e um assalto efetuado alguns dias antes ao Banco Fonsecas & Burnay. Pouco tempo depois, a 14 de dezembro, as FP 25 voltavam a atuar, assumindo a autoria de dois atentados, um em Lisboa e outro em Alcácer do Sal.

Depois de várias ações menores, as FP 25 efetuaram duas das suas mais aparatosas e mediáticas operações: a primeira ainda em 1982, a 6 de outubro, com o assassinato de um gestor em Sacavém; a segunda a 7 de fevereiro de 1984, quando em pleno coração da cidade de Lisboa, assaltaram um veículo de uma empresa de segurança que transportava 108 000 contos (538 701,70 euros). A ação foi imediatamente assumida pela organização. No entanto, as FP estavam já na mira da Polícia Judiciária portuguesa, que de há algum tempo àquela parte controlava já alguns dos seus elementos e ligações políticas. Foi na sequência dessas investigações que nesse ano de 1984, a 19 de junho, a PJ desencadeou uma operação contra as FP 25 de abril.

No centro dessa operação da PJ esteve a rusga efetuada à sede da FUP e seu posterior encerramento. Também a residência de Otelo foi revistada. Este, juntamente com mais 42 indivíduos suspeitos, foi detido pela polícia. Depois de um conjunto de pesquisas e do levantamento de um complexo processo jurídico contra as FP, a 15 de outubro de 1984 o Ministério Público começou a tomar posição no caso, tendo em vista o seu julgamento, que começaria em 3 de outubro de 1986, e resolução política. Otelo foi assim acusado de ter "fundado, promovido e dirigido uma organização terrorista", que era, ao que tudo indica, as FP 25 de abril. Ainda nesse ano de 1986, recorde-se uma das mais violentas ações das FP 25: o assassinato do Diretor-Geral dos Serviços Prisionais.

Mas apesar da ofensiva da polícia e dos tribunais, a organização continuou ativa, reivindicando atentados, como fez em 1 de fevereiro de 1985, depois de uma ação terrorista no Bairro Alemão, em Beja. O julgamento continuava no tribunal de Monsanto, construído para o efeito, rodeado de enormes medidas de segurança, temendo-se represálias por parte dos agentes ainda em liberdade. Os "arrependidos" das FP, contudo, ditavam o andamento do processo judicial, que conduziria, em 20 de maio de 1987, à condenação de Otelo, um herói de abril, a 15 anos de prisão. Quanto aos "arrependidos", tiveram que partir para o exílio ou viver clandestinamente, de forma a protegerem-se de vinganças de operacionais ativos. Mas pouco tempo Otelo estaria na prisão, pois a 17 de maio de 1989 era libertado.

Em 1991, o caso das FP dava ainda muito que falar na opinião pública, quando se aventou uma eventual amnistia a conceder aos presos pertencentes à organização. Todavia, a Assembleia da República acabou por votar contra esse projeto a 20 de junho desse ano, o que motivou o início de uma greve de fome entre os detidos. Esta iniciativa foi depois interrompida a 4 de julho, devido a uma promessa de indulto presidencial. O indulto do Presidente da República ocorreria a 19 de dezembro de 1991, mas apenas para sete dos detidos.

Um dos mais longos processos judiciais ocorridos em Portugal estava ainda longe de estar concluído, pois têm sido vários os recursos, adiamentos processuais e impasses, sempre numa atmosfera política muito grande. Apesar de desmantelada a organização, os ecos do julgamento ainda se mantêm, com as famílias das vítimas a interporem processos e recursos ao Ministério Público, de forma a serem ressarcidas dos danos morais e materiais causados pelas FP ou a conseguirem a condenação dos autores de vários crimes e ações que ainda não se conseguiram provar em termos concretos. As ligações de Otelo permanecem ainda com indefinições e as provas são consideradas insuficientes muitas vezes, tendo sido anunciado, em abril de 2001, um perdão e anulação das penas a Otelo e seus pares.
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