Fradique de Menezes

Político, governante e empresário são-tomense, Fradique Melo Bandeira de Menezes nasceu a 21 de março de 1942, em Água Telha, Madalena, na ilha de São Tomé, sendo filho de um português e de uma mulata.
Formou-se como médico psicólogo na Bélgica mas nunca chegou a exercer medicina.
Prestou serviço militar em Moçambique no Exército português. Depois de São Tomé e Príncipe se ter tornado independente, a 12 de julho de 1975, Fradique de Menezes filiou-se no MLSTP (Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe), de influência marxista. Este partido assumiu o poder, sob a presidência de Manuel Pinto da Costa.
Sob um regime de partido único, Menezes iniciou a sua carreira na política e em 1986 foi nomeado por Pinto da Costa ministro dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação. Só esteve um ano no cargo já que em 1987 foi nomeado embaixador do seu país na Comunidade Europeia e, posteriormente, na Bélgica e na Alemanha.
Em 1991 o processo de democratização de São Tomé e Príncipe levou à realização de eleições livres e Pinto da Costa foi substituído no poder pelo seu opositor Miguel Trovoada. Entretanto, o MLSTP passara também a designar-se Partido Social Democrata (PSD).
Fradique de Menezes optou por abandonar a política e dedicou-se aos negócios de exportação de cacau e importação de cimento. Em pouco tempo passou a ser o empresário melhor sucedido do país.
Em 1992 assumiu a presidência da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura e, entretanto, nos anos seguintes, adquiriu a nacionalidade portuguesa.
Em 2001, depois de recuperar a nacionalidade são-tomense, regressou à política e com o apoio do partido de Trovoada, a Ação Democrática Independente (ADI), de tendência centrista, candidatou-se à presidência. A 29 de julho desse ano venceu as eleições presidenciais e tomou posse a 3 de setembro para um mandato de cinco anos.
No entanto, a sua governação ficou desde logo marcada por tensões políticas, crises constitucionais e institucionais pois teve de se haver com um parlamento de maioria do MLSTP. Fradique de Menezes decidiu convocar eleições legislativas antecipadas para 3 de março de 2002 para tentar ganhar uma maior margem de manobra. Contudo, continuou a não conseguir obter a maioria parlamentar e nomeou um governo com a participação de todas as forças políticas com assento parlamentar. Após uma nova série de crises nomeou a 3 de outubro Maria das Neves de Sousa, do MLSTP-PSD, primeiro-ministro.
A 21 de janeiro de 2003 Fradique de Menezes dissolveu a assembleia e convocou eleições para 13 de abril, que, no entanto, não viriam a ter lugar.
O clima de instabilidade originou um golpe militar a 16 de julho de 2003 liderado pelo major Fernando Pereira. Os golpistas aproveitaram uma ausência do presidente, de visita à Nigéria, para tomarem conta dos edifícios governamentais, prenderem a primeiro-ministro e dissolver os órgãos de Estado. De seguida constituíram uma Junta Militar de Salvação Nacional, liderada por Fernando Pereira.
A 23 de julho os golpistas devolveram o poder a Fradique de Menezes devido a fortes pressões internacionais.
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