Francisco Barata

Arquiteto português, Francisco José Barata Fernandes nasceu em 1950, no Porto. Diplomado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) em 1975, inicia em 1979 a atividade académica até 1984 na ESBAP e a partir de 1985 na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Leciona nestes dois períodos diversas disciplinas, ligadas quer ao planeamento, quer à teoria, quer ao projeto.
No período 1984-1985 efetua um trabalho de investigação em Itália (em coautoria com a arquiteta Madalena Pinto da Silva) sobre Política de desenvolvimento urbano e recuperação de centros antigos, sob orientação da Faculdade de Arquitetura do Politécnico de Milão. A sua formação teórica e profissional manter-se-á estreitamente ligada à perspetiva italiana.
Doutorado em Arquitetura pela FAUP em 1997, publica em 1999 a sua tese de doutoramento: Transformação e Permanência na Habitação Portuense - As Formas da Casa na Forma da Cidade, FAUP Publicações, Porto. Entre outros aspetos, procura estabelecer as bases da influência da arquitetura georgiana no Porto burguês de Oitocentos, sobretudo a nível morfotipológico, e consequentemente na imagem da cidade. Ainda academicamente, integra programas de intercâmbio internacional, coordenação de seminários nacionais e internacionais, sendo desde 1999 membro dos Conselho Científico da FAUP. A partir de 1989 orienta e integra os júris de diversos estágios, provas finais de licenciatura, teses de mestrado e doutoramento, bem como concursos de arquitetura.
Desde 1978 publica diversos artigos, projetos e obras em revistas, livros ou outras publicações da especialidade, bem como na imprensa em geral. Coordena e/ou participa em várias conferências, seminários, e exposições, quer a nível nacional, quer internacional.
Profissionalmente, colabora no período 1971-1978, com os arquitetos Fernando Távora (figura fulcral na sua formação), Alfredo Matos Ferreira e Bernardo Ferrão; com este último estabelece parceria entre 1978-1986. Deste período, e em coautoria, destacam-se diversos Planos de Pormenor (PP), Planos Gerais de Urbanização (PGU), loteamentos, projetos de remodelação e/ou ampliação de imóveis com interesse histórico-patrimonial e projetos de habitação unifamiliar e coletiva. A maioria destes projetos ou obras localiza-se no Porto e áreas envolventes, bem como na Região Norte. Destacam-se a Casa na Madalena, Vila Nova de Gaia (1980-1982); recuperação de solar urbano para Casa da Cultura, Esposende (1980-1984); e recuperação de casa agrícola, Seixas (1984).
Em coautoria com o arquiteto Manuel Fernandes de Sá, realiza a Cooperativa de Habitação de Massarelos (95 habitações), Porto (1990-1995), a que foi atribuído o Prémio INH 1996 (Instituto Nacional de Habitação); o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), Lisboa (1992-1995); o Plano de Urbanização da Marginal do Douro, Porto (1995); e obtém o 1.° prémio no concurso para a conversão de um quarteirão em hotel de luxo na Ribeira, Porto (1996).
A partir de 1987 projeta individualmente, destacando-se desta atividade as seguintes obras ou projetos: recuperação do Castelo de Santa Maria da Feira, 1.ª fase (1990) e 2.ª fase (1999-2001); edifício de comércio e escritórios, Vila das Aves (1991); recuperação das quintas do Ribeiro, Santo Tirso (1994), e da Carreira, Vizela (1995-2002); gabinete de arquitetura, Porto (1996); praça e edifício de habitação e comércio do Bom Nome, Vila das Aves (1998); Praça da Cadeia e Largo do Olival, Porto (2000-2001), no âmbito do Porto 2001 - Área Oeste A, integrando a equipa coordenada pelos arquitetos Camilo Cortesão e Mercês Vieira; Rua do Almada e Praça Filipa de Lencastre, Porto (2000-2001), igualmente no âmbito da Porto 2001 - Área Oeste B, equipa coordenada pelo arquiteto Virgínio Moutinho.
Em 2002 elabora o Plano de Pormenor de S. Paio / Canidelo, Vila Nova de Gaia, integrado no Programa Polis, entre vários outros projetos e obras em curso, na sua maioria de habitações unifamiliares.
À semelhança do seu posicionamento académico-teórico, a sua obra procura estabelecer aquilo que podemos designar por via da continuidade, a vários níveis: urbano, morfotipológico, significante (imagem) e metodológico. Situado na viragem do moderno para o questionar desse mesmo moderno, é importante relembrar o facto deste arquiteto ser discípulo do arquiteto Fernando Távora e enquadrá-lo na designada Escola do Porto, que a existir enquanto conceito valoriza questões como o determinismo do lugar em cada projeto e o desenho enquanto método de investigação e simultaneamente de síntese - um instrumento operativo de projeto. A forma advém do desenho/grafismo, motivado quer pelo contexto, quer por referências formais ao moderno. Deste apreende, sobretudo, a postura racionalista, evitando a imagem e os formalismos desprovidos de significado.
No que toca à intervenção no património, assume uma postura eclética de preservação da forma/tipo e simultaneamente da adição ou diluição de elementos modernos significantes, sobretudo a nível de materiais e reportório formal. A sua obra é uma reflexão acerca da relação entre o existente e o a existir, entre a memória e o seu próprio processo de elaboração e sedimentação.

Como referenciar: Francisco Barata in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-12 07:03:16]. Disponível na Internet: