Francisco de Andrada

Nascido em 1540, em Lisboa, e falecido em 1614, na mesma cidade, era irmão de Frei Tomé de Jesus e do teólogo do Concílio de Trento Diogo Paiva de Andrade e pai de outro Diogo Paiva de Andrade, autor de O Casamento Perfeito. Comungou com os seus irmãos no mesmo fervor religioso, criando ou traduzindo poesia de tendências místicas, como a Elegia da Alma Devota ou o Salmo Benedic, anima mea, Domino...
Guarda-mor da Torre do Tombo e cronista-mor do reino, escreveu, nesta qualidade, a Crónica do muito alto e muito poderoso Rei destes reinos de Portugal D. João, III deste nome, em 1613.
Além da historiografia, dedicou-se também à poesia lírica amorosa, de que existem várias composições inéditas nos Reservados da Biblioteca Nacional de Lisboa. A sua obra de maior relevo é uma crónica rimada intitulada O Primeiro Cerco de Diu. Este poema em vinte cantos, em oitava rima, publicado em 1589, narra o episódio da defesa da cidade de Diu na Índia por António da Silveira, em 1583. Nele, a preocupação do facto histórico sobrepõe-se à arte da poesia épica. Tal característica confere-lhe um cunho de originalidade que o credita como um dos maiores notáveis autores da poesia seiscentista.
Traduziu os Epodos latinos de Diogo de Teive.
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