Morte no Parque

Lourenço Seruya

A Mais Bela Maldição

Rui Couceiro

As Rosas de Barbacena

Alberto S. Santos

Tempo de leitura3 min

Francisco de Assis de Távora
favoritos

Terceiro marquês de Távora, conde de São João da Pesqueira, 72.º governador e 45.º vice-rei da Índia. Nasceu a 7 de outubro de 1703 e faleceu a 13 de janeiro de 1759. Era filho dos segundos condes de Alvor, Bernardo Filipe Nery de Távora e D. Joana de Lorena.
A 21 de fevereiro de 1718 casou com a sua prima D. Leonor Tomásia de Távora, sexta condessa de São João da Pesqueira e terceira marquesa de Távora, filha dos quintos condes de São João da Pesqueira.
A carreira militar de Francisco de Assis iniciou-se como governador de Chaves, sendo depois por despacho de 28 de fevereiro de 1750 nomeado por D. João V vice-rei da Índia. A 28 de março do mesmo ano parte de Lisboa com a sua mulher, chegando a Goa a 22 de setembro. Cinco dias depois o Marquês de Alorna, vice-rei cessante, entrega-lhe o governo. Passado um ano chega a notícia da morte de D. João V, mandando o Marquês celebrar as exéquias do rei defunto e em 1751 a aclamação de D. José, o novo rei, com festejos faustosos.
Francisco de Assis manda uma bem sucedida expedição contra o pirata Cananja, que pilhava todas as embarcações que circulavam nos arredores de Diu, tomando-lhe a fortaleza de Nerbandal e queimando-lhe os navios fundeados no porto das Galés. Seguidamente arma uma flotilha, cujas tropas dirige pessoalmente, contra o rei de Sunda, tomando a praça de Piro, as fortalezas de Conem e Ximpem e a flotilha do rei que se encontrava no rio Caruan. Também obrigou o inimigo a render-se sob vantajosas condições para Portugal depois de ter invadido as províncias de Pondá e Zambaulim, perto de Goa.
A 18 setembro de 1754 o conde de Alva chegou à Índia para o substituir. Partiu então o Marquês de Távora com a sua mulher para Lisboa, precedido pela fama dos seus feitos.
Francisco de Assis e D. Leonor eram extremamente devotos e acolhiam os jesuítas perseguidos pela política real, criando-se assim um círculo que manifestava antipatia perante o despotismo do ministro de D. José, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. Este também considerava os marqueses de Távora, representantes de uma das famílias nobres mais importantes de Portugal, seus inimigos.
Assim, quando se deu o ataque a D. José, a 3 de setembro de 1758, Sebastião José induziu o rei a atribuir a culpa aos marqueses de Távora e ao duque de Aveiro. A proteção que os marqueses davam aos jesuítas (com quem Sebastião José tinha grandes antagonismos, tendo inclusive ordenado o seu exílio), particularmente ao Padre Gabriel Malagrida, o facto destes terem reatado relações com a Casa de Aveiro, seus parentes com quem tinham até aí mantido uma fria relação, o descontentamento do Marquês, que apesar de ter sido nomeado por morte do marquês de Alorna general de cavalaria considerava a recompensa dos seus feitos na Índia insuficiente, e o facto de constar que o rei estava envolvido com a nora de Francisco de Assis, D. Teresa de Távora, eram razões suficientes para convencer o rei da culpabilidade da Casa de Távora.
Quando a tentativa de regicídio chegou aos ouvidos do Marquês de Távora, este acorreu ao Paço pondo a sua espada ao serviço do rei. No entanto Sebastião José tinha feito circular a notícia de que D. José apenas tinha caído do cavalo e disse secamente ao marquês que o rei teria em conta as suas palavras.
A 13 de setembro de 1758 Francisco de Assis estava num baile na Feitoria Inglesa e foi informado de um inusual movimento de tropas. Estranhando o facto das tropas que estavam debaixo do seu comando se movimentarem sem sua autorização, uma vez que era inspetor-geral da cavalaria, dirigiu-se ao Paço, ofendido, e perguntou a razão deste desrespeito. Sebastião de Carvalho e Melo manda-o entregar a espada e o bastão ao Conde de Soure e a D. Luís da Cunha, sendo depois o marquês escoltado para o Pátio dos Bichos, onde já se encontravam presos alguns membros da sua família. Na noite de 13 de dezembro desse ano foi presa a marquesa de Távora e os seus filhos Luís Bernardo, quarto marquês de Távora, e José Maria de Távora.
O único a denunciar a implicação dos Távoras no atentado ao rei foi o Duque de Aveiro, nem os criados deste, que acusaram o duque e a sua família, denunciaram qualquer participação da Casa de Távora.
Mas era necessário punir aqueles que se revoltavam contra o despotismo real e o envolvimento do rei com D. Teresa de Távora. Por isso, a 12 de janeiro de 1759 o tribunal condenou o Marquês de Távora a ser destituído das comendas, cargos e honras que possuía, a que lhe fossem partidos os braços e as pernas e depois rodado e por fim que todos os escudos de armas da família fossem picados, proibindo o uso deste apelido.
A 13 de janeiro de 1759 é executada a sentença e morrem em Belém os terceiros marqueses de Távora.
Partilhar
  • partilhar whatsapp
Como referenciar
Francisco de Assis de Távora na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$francisco-de-assis-de-tavora [visualizado em 2026-06-21 14:31:07].
Partilhar
  • partilhar whatsapp
Como referenciar Seta para baixo
Francisco de Assis de Távora na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$francisco-de-assis-de-tavora [visualizado em 2026-06-21 14:31:07].

Morte no Parque

Lourenço Seruya

A Mais Bela Maldição

Rui Couceiro

As Rosas de Barbacena

Alberto S. Santos