Francisco de Lacerda

Compositor e maestro, pianista e etnomusicólogo, nasceu em 1869, na ilha de S. Jorge, e faleceu em 1934. Estudou no Conservatório de Lisboa, onde lecionou entre 1891 e 1895. Foi como bolseiro para o Conservatório de Paris, inscrevendo-se posteriormente na Schola Cantorum. Aí estudou composição e direção com Vincent d'Indy e conviveu com Charles Widor, Eric Satie, Manuel de Falla e Isaac Albeniz. Tal como muitos compositores da altura, dedicou-se à recolha de melodias populares, passando bastante tempo nos Açores. Fez parte do júri na Exposição Universal e, em 1904, assumiu a direção dos Concertos do Casino de La Baule, e dos Grandes Concertos de Marselha. Dirigiu ainda a Associação dos Concertos Históricos de Nantes, por ele fundada, e os concertos da Kursaal de Montreux, tendo iniciado então a divulgação do repertório do Grupo dos Cinco (Mussorgsky, Balakirev, Korsakov, Borodin e Cui), de outros compositores russos e de contemporâneos franceses. Em 1921, Francisco de Lacerda tentou, sem sucesso, criar a Filarmónica de Lisboa, partindo depois para França e retornando a Portugal, por motivos de saúde, em 1928. Este compositor foi também um dos que dinamizou o panorama musical português com a crítica à produção e interpretação que neste âmbito se faziam, a par de Viana da Mota e Luís de Freitas Branco, entre outros. Na sua obra para piano destacam-se as Trente six histoires pour amuser les enfants d'un artiste, que se presume terem sido compostas para a filha de Debussy. As suas Trovas para canto e piano são o seu maior contributo e talvez o ponto mais alto da música deste género em Portugal.
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