Francisco de Sousa

Poeta palaciano coligido no Cancioneiro Geral, filho de Jorge de Sousa, comendador da Ordem de Santiago, Francisco de Sousa frequentou a corte de D. Manuel e serviu em Goa com Afonso de Albuquerque. Participa em composições conjuntas, sobretudo de propósito amoroso, como as trovas coletivas em louvor de D. Filipa de Abreu, de Dona Beatriz de Vilhena, a "Perigosa", ou de Dona Joana Mendonça, de parceria com Diogo de Meneses, D. Diogo, Aires Teles ou Garcia de Resende. As composições amorosas individuais dialogam com as fórmulas e temáticas sugeridas pela poética da lírica amorosa cortês. Reforçando uma linha de expressão mais subjetiva e introspetiva do Cancioneiro, veiculada por situações de desdobramento, o sujeito poético interpela-se a si mesmo ("Meus males, que me quereis? / Meu coraçam, que cuidais? / Sentidos, que desejais? / Olhos, porque nam olhais / o dano que me fazeis?" (IV, p. 255)), num monólogo sentido que, numa conhecida composição, tem por testemunha a natureza: "Oo montes erguidos, / deixai-vos cahir, / deixai-vos somir / e ser destroidos, / pois males sentidos / me dam tanta guerra / por ver minha terra!..." (IV, p. 246).
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